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Casos de covid-19 continuam a aumentar sobretudo em Lisboa. Internamentos aceleraram na última semana

Casos de covid-19 continuam a aumentar sobretudo em Lisboa. Internamentos aceleraram na última semana

Mafalda Gomes Marta F. Reis 28/09/2020 08:33

Este domingo registaram-se 665 novos casos e nove mortes.

Os novos casos de covid-19 têm estado a subir em todo o país mas o crescimento continua a ser superior na região de Lisboa. Durante o fim de semana foram reportados mais 1549 novos casos, dos quais 724 em Lisboa, cerca de metade.

Os internamentos continuaram também a aumentar e ontem havia 635 doentes hospitalizados com covid-19, mais 20 do que no dia anterior. Embora se encontre neste momento a menos de metade do que aconteceu no pico da epidemia em abril – quando chegaram a estar 1302 doentes internados ao mesmo tempo com covid-19 nos hospitais, 271 nos cuidados intensivos – a pressão sobre os cuidados de saúde tem vindo a aumentar nas últimas semanas, numa altura em que não está suspensa atividade programada. O cenário começa a não ser descartado. Ontem havia mais 124 doentes internados do que no domingo passado, quando na semana anterior o aumento tinha sido de 59 doentes. Em entrevista ao SOL, Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, considera que será necessário reduzir alguma atividade, nomeadamente em Lisboa, quando forem ocupadas as cerca de 500 camas atualmente definidas para a resposta à covid-19. No final da semana passada, de acordo com o ponto de situação feito pela ministra da Saúde Marta Temido, a região de Lisboa registava o maior número de internamentos. No Norte, havia uma ocupação de 58% das camas ativadas para a covid-19 neste momento nos diferentes hospitais (256 no total) e na região de Lisboa a ocupação era de 62% (havia então 553 camas reservadas para doentes covid-19 nos hospitais de Lisboa).

Ex-ministro pede gestão de expectativas Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, apelou este domingo à união perante o que antevê como meses difíceis. “Temos pela frente, seguramente, três, quatro meses muito difíceis e é nessa dificuldade que temos de trabalhar em união entre todos, alinhando sempre o discurso político com a realidade, gerindo bem as expectativas das pessoas, não dramatizando, nem assustando, mas também não desvalorizando os riscos que temos pela frente”, disse o ex-governante em declarações à agência Lusa, chamando também a atenção para o impacto sobre os restantes doentes.

Já o infeciologista Jaime Nina defendeu que a segunda vaga de covid-19 poderá ser pior do que a se registou em abril. “Neste momento, não é possível fazer um confinamento drástico como foi feito em março e abril, porque se fizermos isso a seguir vamos todos de chapéu na mão pedir esmola porque o país faliu. Isto tem custos brutais”, salientou o médico do Hospital Egas Moniz, também à Lusa. Jaime Nina considera que os transportes são um dos pontos nevrálgicos da transmissão da doença e defende que a oferta deve quadruplicar. “É caro? É, mas ter a economia fechada não é mais caro?”, questionou, argumentando que “só uma semana de economia fechada para tentar evitar [a propagação do vírus] pagava isto tudo e ainda sobrava muito dinheiro”. 

 

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