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Pico em duas semanas? Só se medidas equivalessem ao confinamento

Pico em duas semanas? Só se medidas equivalessem ao confinamento

Marta F. Reis 24/09/2020 10:46

Autor de modelo publicado ontem explicou ao i as premissas. 

Um novo modelo publicado ontem por investigadores franceses traça um calendário para a segunda onda de covid-19 na Europa, apontando para que o pico de novas infeções possa acontecer nas próximas semanas. Para Portugal, a simulação da epidemia, com base na dinâmica do vírus na primeira onda, colocaria o pico de uma segunda vaga de infeções entre a semana 35 do ano (que já passou) e o mais tardar na semana 41, a semana entre 5 e 11 de outubro.
Ao i, Giacomo Cacciapaglia, físico e um dos autores do estudo publicado na revista “Scientific Reports”, explica o pressuposto da projeção: assumem que as atuais medidas em vigor, que não diferenciam entre países, teriam o mesmo impacto na redução de contactos que foram tomadas na primeira vaga de infeções, incluindo o confinamento, o que a este ponto é uma incógnita. De resto, a outra premissa é que o vírus tem um ciclo, em que as infeções aumentam e depois desaceleram. “Se as atuais medidas forem mais efetivas do que as que foram tomadas na primeira vaga, o pico seria adiado”, diz Cacciapaglia. “As medidas o que fazem é reduzir o número total de infetados e atrasar o pico da infeção em cada onda”, diz, acrescentando que será necessário chegar ao fim da segunda onda para perceber o que se pode passar a seguir e se é previsível uma terceira. Na Austrália, por exemplo, depois de uma segunda onda em julho/agosto, que superou os números de abril, as restrições foram reforçadas em vários estados e as infeções diárias voltaram agora para baixo dos 50 casos/dia, algo que em Portugal não chegou a acontecer.

A caminho dos mil casos

As projeções continuam por agora a apontar para uma tendência de crescimento da epidemia, que deve passar a marca dos mil casos diários esta semana. A incidência de novos casos nos últimos sete dias situou-se nos 47 por 100 mil habitantes e a 14 dias subiu para 86,8 novos casos por 100 mil habitantes, mais do dobro do que se registava em agosto. O último cálculo feito pelos peritos do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, indicou ontem a ministra da Saúde, situou o RT em 1,11 (acima de 1 a tendência é crescente e antes do confinamento, em março, chegou aos 2,07, o que significa que em média cada pessoa infetada contagiava duas pessoas). Estima-se agora uma média de 725 novas infeções por dia, o dobro do início do mês. 

O número de testes semanais tem vindo a aumentar gradualmente. Mas se algumas teorias sugerem que é por isso que os casos estão a subir, os testes não duplicaram. No início de setembro, de acordo com os dados reportados por Portugal ao Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças, o país fazia a cada semana cerca de 900 testes por cada 100 mil habitantes na semana passada atingiu os 1121,6, ocupando agora o 14.o lugar entre os países europeus que estão a testar mais testes – tem descido até na tabela. A ministra da Saúde apontou ontem uma decisão sobre em que contextos serão usados testes rápidos para o final da semana.

O número de doentes internados tornou ontem a aumentar e encontra-se a esta altura a menos de metade do que se verificou no pico em abril, quando chegaram a estar internados nos hospitais 1302 doentes com covid-19, 270 em cuidados intensivos. Ontem estavam hospitalizados 571 doentes com covid-19, 70 em cuidados intensivos, mais 89 pessoas do que há uma semana. 

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