20/10/20
 
 
Carlos Zorrinho 24/09/2020
Carlos Zorrinho
opiniao

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Energia e inteligência

A pandemia não mudou radicalmente consciências, mas mudou as perceções de que as soluções têm de ser inteligentes e partilhadas para serem sustentáveis.

Está a decorrer desde terça-feira e até hoje, em Lisboa, o evento Portugal Smart Cities Summit 2020, numa parceria liderada pela Fundação AIP, em modelo híbrido, de que beneficiei para assistir parcialmente e intervir online na conferência sobre os novos modelos de descarbonização. 

O evento e os múltiplos temas em debate, conjugando a saúde e o bem-estar, os modelos institucionais, os modelos técnicos e tecnológicos, os desafios de mobilização e financiamento ou os processos de acesso e inclusão, não podiam ser mais oportunos. Vivemos um tempo em que as comunidades são confrontadas com a sobrevivência, recuperando e transformando-se com energia e inteligência, num contexto de interligação em que todo o mundo é “cidade”.

A pandemia propagou-se num mundo em desordem, ameaçado pelo protecionismo, pelos nacionalismos populistas exacerbados, pelas tensões fortes entre potências, pelas fraturas sociais acicatadas pela consciência do aumento das desigualdades no acesso aos bens básicos e aos serviços proporcionados pelo desenvolvimento e pela aceleração tecnológica.

No início da crise houve a esperança de que a perceção global do risco pandémico agiria positivamente sobre as consciências individuais e coletivas. Muitas marcas indeléveis ficarão gravadas, mas as mudanças induzidas não resolverão por si só os grandes desafios de sustentabilidade e equidade com que nos confrontamos. 
A pandemia não mudou radicalmente consciências, mas mudou as perceções de que as soluções têm de ser inteligentes e partilhadas para serem sustentáveis. Nada se resolverá por qualquer automatismo ou peripécia do destino. O esforço tem de ser conjunto e os modelos têm de ser melhorados.As tensões globais não diminuíram mas, ao mesmo tempo que sentimos aumentar as forças fraturantes nas cúpulas de decisão, vemos também desenvolverem-se redes de cidadania e colaboração que têm forçado movimentos de solidariedade em diferentes escalas.

Antevejo uma oportunidade para os modelos multilaterais num combate sem tréguas que há muito antevíamos pela água, pela energia, pelos dados, pela mobilidade inteligente, pela organização saudável dos territórios e pela sobrevivência. Para aproveitar esta janela de oportunidade me tenho batido no Parlamento Europeu, designadamente na aplicação do Pacto Ecológico Europeu e nas suas diversas declinações, na agenda digital e nos processos de cooperação global, designadamente no plano das relações Europa-África e Europa-África, Caraíbas e Pacífico, na minha qualidade de copresidente da Assembleia Parlamentar Paritária UE/ACP. 

Para ser vencedora, esta estratégia tem de assegurar parcerias institucionais adequadas, mas também, e sobretudo, conquistar um envolvimento de cidadania forte no seu desenho e monitorização, em nome da qualidade de vida, do emprego e do acesso às tecnologias e aos serviços que elas proporcionam. 

Na sua visão estratégica 2030, António Costa Silva postulou que serão os serviços públicos, e não o mercado, a fazer a diferença competitiva na inserção de Portugal no mundo. É um bom exemplo e uma visão correta que, para ser bem-sucedida exige energia, inteligência e serviços públicos de qualidade, com conceção aberta e partilhada. 

Eurodeputado

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