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Luís Newton 23/09/2020
Luís Newton

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A vida não pode parar

O PSD, enquanto maior partido da oposição, tem de criar uma arrojada agenda alternativa enquanto luta para que se protejam os portugueses desta governação em cima do joelho.

Esta semana começa o verdadeiro desconfinamento.

As crianças retomaram a escola, os jovens a universidade, e as empresas começam a fazer os trabalhadores regressar.

Os números de infeções sobem, naturalmente, porém mostram uma diferença encorajadora: apesar do aumento de casos, o número de mortes não está a acompanhar essa subida, mantendo-se longe dos índices do confinamento.

Isto acontece porque na primeira vaga aprendemos uma valiosa lição: temos de proteger os nossos pais, avós e todos os mais vulneráveis.

É por isso que temos de encarar este momento com confiança e responsabilidade.

O PSD, enquanto maior partido da oposição, tem de criar uma arrojada agenda alternativa enquanto luta para que se protejam os portugueses desta governação em cima do joelho.

Não podemos deixar-nos consumir pelo medo. Os casos vão subir, mas isso não poderá impedir-nos de recuperar a normalidade, agora com mais informação e cuidados (como o uso de máscara).

Devemos transmitir esta mensagem de esperança com cuidado. Devemos falar verdade aos portugueses, dar-lhes consciência dos riscos que correm e como evitá-los.

Mas não devemos fixar-nos em recuperar o que perdemos. Devemos almejar algo muito melhor. Um país que crie verdadeiras oportunidades, usando os enormes fundos que recebermos para dar de volta aos portugueses as condições que viram desaparecer nos últimos anos. Recuperar serviços públicos e pôr algum dinheiro de parte para o devolver ao bolso dos contribuintes. Vamos entrar numa era de coesão em que poderemos arriscar mais, mas as apostas terão de ser certas. Não em programas públicos estagnados como a habitação pública desregrada ou as autoestradas repetitivas. Temos de ousar fazer diferente, dando meios ao setor privado para florescer e usando o dinheiro para fazer uma transição energética que capitalize o nosso enorme potencial natural.

O caminho dos decisores será um caminho de desafios em que a sua determinação e consistência serão postas à prova. A abertura tem de ser progressiva, e a mensagem coerente.

Não podemos dizer que sim a uns eventos e não a outros por conveniência política. Temos de ir além desses assuntos menores e criar um grande debate nacional sobre o que vamos fazer agora e a seguir.

O decisor não pode ser errático, incongruente e muito menos clubista nestes momentos.

As pessoas desconfiam dos políticos se eles não tiverem coragem de sair das suas trivialidades de bastidores para dar resposta aos anseios da comunidade que servem.

Quem faz política tem de ter a coragem de decidir e estar disponível para o escrutínio. Tem de sair das bolhas dos gabinetes e contactar com o país real, que paga impostos, que passa fome, que vive sem o conforto de um emprego no dia seguinte – anseios que esta pandemia só veio aumentar.

Recentemente tomei a decisão de transformar e adaptar a sede da junta de freguesia onde sirvo enquanto presidente para ter a capacidade de receber mais de 200 alunos, professores e auxiliares de educação de uma escola de 1.o ciclo.

Fi-lo porque não estou preso à rigidez do que é ou não a minha responsabilidade. Fi-lo porque não me pagam para culpar adversários políticos por falharem nas suas funções, mas sim para fazer tudo ao meu alcance para garantir que quem eu sirvo não é afetado por incompetência alheia.

Também, depois de fazer um apelo público para a testagem da comunidade escolar antes do início das aulas, e na ausência de resposta, avancei sozinho na Estrela. Queria que todos regressassem sem medo. É para isso que os serviços públicos lá devem estar. Para quando tudo falha.

O mote para o bom político e para o cidadão lidar com a pandemia deve ser o mesmo: a vida não pode parar.

 

Presidente da concelhia do PSD/Lisboa e presidente da Junta de Freguesia da Estrela

 

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