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Prisa ‘oferece’ Media Capital à fatia

Prisa ‘oferece’ Media Capital à fatia

João Amaral Santos 20/09/2020 14:54

A Prisa confirma a venda de 65% da dona da TVI por 36,85 milhões de euros a um conjunto de empresas e empresários, que inclui nomes como Pedro Abrunhosa ou Tony Carreira.

Desde junho de 2009, após anunciar estar a atravessar uma crise financeira, que a Prisa tentava ‘libertar-se’ da parte (de quase 95%) que detinha na Media Capital, dona da TVI. Mais de uma década depois, após muitos avanços e recuos, acordos que não mereceram o parecer favorável dos reguladores – como aconteceu com a Ongoing, em 2010, e a Altice, em 2018 –, ou simplesmente por desistências na reta final do processo – como ocorreu, já no início deste ano, com a Cofina –, a empresa espanhola parece ter, finalmente, logrado o seu objetivo.
E fê-lo, desta feita, recorrendo a uma estratégia que apanhou  de surpresa quem esperava a conclusão de mais um negócio milionário no setor da comunicação social: reavaliando por baixo a empresa, sujeita às consequências da crise provocada pela pandemia, repartindo-a por um vasto conjunto de empresas e empresários, onde se contam nomes surpreendentes, como Cristina Ferreira, Pedro Abrunhosa ou Tony Carreira. 
Feitas as contas, a Prisa terá lucrado 36,85 milhões de euros com a venda de cerca de 65% da Media Capital, segundo informação publicada na Comissão Nacional do Mercado de Valores de Madrid. A este valor, juntam-se ainda os 10,5 milhões de euros pela venda de 30,22% do grupo ao empresário Mário Ferreira, dono da Douro Azul – um valor que, ainda assim, fica muito abaixo das avaliações anteriores, e que representa perdas significativas para a empresa espanhola tendo em conta o investimento feito desde julho de 2005. A Cofina, por exemplo, esteve perto de fechar negócio com a Prisa em março, depois de, em 2019, ter lançado uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Media Capital onde teria a pagar mais de 180 milhões de euros pelo negócio, que  avaliava a empresa (enterprise value) em 255 milhões (numa operação em que a Cofina assumia ainda a dívida estimada em 75 milhões de euros da dona da TVI). Um valor, ainda assim, bem menor do que chegou a estar em cima da mesa aquando das negociações com a Ongoing e a Altice que se arrastaram (sem final feliz) ao longo da última década.
A Cofina havia voltado à carga com uma nova OPA, que a Prisa preferiu ignorar, passando a negociar em exclusivo a venda de 30,22% da Media Capital com Mário Ferreira (que, agora, se torna o empresário de referência da empresa).
 
Lista fechada
A lista de novos acionistas ficou fechada na quinta-feira, quando a Media Capital informou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliário (CMVM) da venda de 4% da empresa à Boom Studios, do músico Pedro Abrunhosa, e ao empresário António Carvalho (2% para cada um).
Na terça-feira, tinha sido comunicado que a holding de construção e imobiliária IBG terá 11,9% da Media Capital. O acordo será feito através da sociedade veículo Biz Partners (detida em 8,352% pelo cantor Tony Carreira que, assim, passa a ter 1% da Media Capital). Outros 5% da empresa passam a ser controlados por uma sociedade comercial que ainda se encontra em processo de constituição.
O  grupo Triun, de Paulo Gaspar, filho do presidente da Lusiaves, fica com 20%; a sociedade Zenithodyssey com 16%; a Fitas e Essências, controlada por Stéphane Rodolphe Piccioto, 3%; e a DoCasal Investimentos, da apresentadora e diretora de ficção e entretenimento da TVI, Cristina Ferreira, com 2,5% da empresa. O gestor Manuel Lemos de Ferreira Lemos, ligado à área hospitalar, fica com 2%.
 
ERC com dualidade de critérios?
Entretanto, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) mantém em análise o negócio entre a Prisa e Mário Ferreira. A entidade já confirmou que as audições sobre as mudanças na estrutura acionista da Media Capital tiveram início em 9 de setembro. Contactada pelo SOL sobre se a entrada de novos acionistas vai obrigar a alargar o âmbito da análise e das pessoas a serem ouvidas, a ERC escusou-se, para já, a tecer comentários. «Recordamos que a ERC não comenta dados sobre processos em curso, nem entra em detalhes sobre diligências complementares que considere necessárias encetar para o apuramento dos factos que estejam em apreciação», refere fonte da entidade.
A ERC, que respondeu de imediato a Paulo Fernandes quando este pediu para ser ouvido no âmbito do negócio, ainda não respondeu ao pedido de audiência nem da Prisa nem de Mário Ferreira.

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