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Queer Lisboa. O corpo, o sexo, a memória e os jogos

Queer Lisboa. O corpo, o sexo, a memória e os jogos

Cláudia Sobral 17/09/2020 22:10

Entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca, arranca amanhã mais um Queer Lisboa. À 24.ª edição alicerçado num programa a percorrer seis eixos - Cruising, Skin, Memory, Sex, Bodies e Play - que, entre curtas, longas, produções recentes e revisitações do passado, faz o Queer Focus deste ano. Todos eles “elementos e ações que a atual pandemia momentaneamente subtraiu do nosso quotidiano” e a partir dos quais o festival propõe uma reflexão sobre paralelismos possíveis entre o momento atual e momentos e aspetos da história recente da comunidade LGBTQI+.

Los Fuertes

Filme de abertura deste queer Lisboa, Los Fuertes, de Omar Zúñiga, parte do encontro entre um jovem de visita à sua irmã numa aldeia remota no Sul do Chile e o contramestre de um barco de pesca local. 
À medida que se aproximam e que a relação entre os dois cresce,  vão descobrindo o que os separa. Será sobre os caminhos divergentes dos futuros que imaginam,  marcados pelas suas ideias de família e a relação com o seu país, que se constrói Los Fuertes. Um filme de passagem à idade adulta a questionar o lugar da liberdade individual numa relação.

Lingua Franca

Na competição de longas-metragens, a terceira obra de Isabel Sandoval, uma coprodução americana e filipina,  conta a história de uma imigrante filipina sem documentos que trabalha como cuidadora de uma avó judaico-russa em de Brighton Beach, Brooklyn. Quando um jovem americano ao qual está a pagar para casarem de forma a conseguir obter um visto de residência vacila, acabará por se envolver com um trabalhador do matadouro que não sabe da sua condição transgénero.

No Hard Feelings

A integrar também a competição deste 24.º Queer está um dos filmes queer que mais deram que falar edição deste ano da Berlinale, em fevereiro. Vencedor do Teddy de melhor longa-metragem em Berlim, em No Hard Feelings Faraz Shariat conta a história de Parvis, um jovem alemão de ascendência iraniana que, entre raves,  o Grindr e sua vida em Berlim, acabará obrigado a cumprir serviço comunitário num centro de refugiados onde conhece dois irmãos, Banafshe e Amon, que mudarão o curso da sua vida.

Un Uomo Deve Essere Forte

O que é ser-se homem? Nos arredores de uma cidade do norte italiano, zona de fábricas de armas, zonas de caça e lagos onde é praticada a pesca pesca, Jack dá início ao processo de transição para poder ser por inteiro o que sempre sentiu que era: um homem. Entre empregos precários, começará a questionar-se a questionar-se sobre o que significa afinal ser-se homem para lá das características físicas. Da autoria de Ilaria Ciavattini e Elsi Perino, o filme integra o primeiro tema do Queer Focus desta edição, programado em seis eixos:Cruising, Skin, Memory, Sex, Bodies e Play.

Équation à un Inconnu

Além de pintor e  proprietário e diretor artístico de um dos primeiros cabarets de travestis de Paris, o La Grande Eugène, Dietrich de Velsa, também conhecido como Francis Savel ou Frantz Salieri, colaborou com Joseph Losey e realizou ele próprio um filme: Équation à un Inconnu, estreado em 1979. A encerrar, com a palavra-chave Skin, o Queer Focus, o festival programa-o na sua nova versão restaurada. A partir das fantasias de um belo jovem, é “um labirinto de fantasias masculinas cujas belezas extraordinárias acabam sempre por desvanecer”. No fim, sobra a solidão.

Welcome to Chechnya

Entre os documentários selecionados para este Queer Lisboa, Welcome to Chechnya, de David France, é um retrato da luta de um grupo corajosos ativistas na Chechénia onde, perante a brutal ameaça à existência das pessoas LGBTQI+, atuam na clandestinidade com o objetivo de resgatar vítimas, fornecendo-lhes casas seguras ou acesso a um visto que lhes permita escapar em segurança. Em fevereiro, ofilme venceu um Teddy Award na Berlinale.

Vil, Má

Gustavo Vinagre é tudo menos um nome desconhecido do público dos festivais de cinema lisboetas. Depois das longas documentais Lembro mais dos Corvos (2018) e do poético A Rosa Azul de Novalis (2019), o seu cinema visita-nos de novo com Vil, Má. O mais recente documentário do cineasta brasileiro, centrado na figura da rainha da literatura sadomasoquista brasileira, Wilma Azevedo, que “sem medo ou pudor conta a história da sua vida, recordando os detalhes mais deliciosos recheados de erotismo”.

Judy versus Capitalism

Filmado em Super 8 e integrando a secção Queer Art, um documentário em que Mike Hoolboom se debruça sobre o papel central de Judy Rebick, feminista radical, ativista de rua e “sonhadora pragmática, na luta pela garantia dos direitos das mulheres sobre os seus próprios corpos no Canadá. Figura que “expõe os princípios fundamentais da segunda vaga do feminismo, mesmo sob a ameaça de uma bomba-relógio familiar”, num filme que “termina com um relato terrivelmente pessoal de um eu dividido, e um surpreendente abraço à doença mental como fonte de criatividade”.

Race d’Ep! 

Influenciado pela inovadora obra de Michel Foucault sobre a história da sexualidade, Race d’Ep!  percorre a história da homossexualidade no século XX - dos primórdios da sexologia e os nus do Barão von Gloeden ao ativismo gay e o cruising nas ruas de Paris. Um documentário de 1979 a que o Queer Lisboa regressa numa sessão especial na Cinemateca em espelho com a apresentação na galeria da Stolen Books do projeto homónimo que os artistas João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira desenvolveram a partir deste filme.

Petite Fille

Estreado este ano na Berlinale, o novo documentário de Sébastien Lifshitz acompanha a história de Sasha e da sua família, que a apoia na luta pela afirmação da identidade da sua identidade e a sua aceitação no meio escolar. Perante uma constante hostilidade, serão os pais de Sasha lutar pela sua liberdade, enquanto a criança vive confortável na sua pele, sem ser por vezes capaz de entender as motivações dos que não a aceitam como ela é.

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