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Mário Bacelar Begonha 17/09/2020
Mário Bacelar Begonha

opiniao@newsplex.pt

A caminho de um Estado socialista

A democracia só é possível entre iguais, numa sociedade ‘’sem castas’’, com igualdade de oportunidades e com uma educação baseada na informação, na aprendizagem de conteúdos técnico-científicos, ao mesmo tempo que a Escola deve completar e desenvolver a formação cívica e social que os estudantes recebem em casa, por parte dos pais.

A escola democrática não deve, nem pode, impor ideias sociais, políticas ou religiosas de acordo com a ideologia do partido que está no Governo, pois isso inquinaria a democracia, e representaria uma gigantesca fraude no sistema democrático.

O Ministério da Educação não pode, nem deve, tentar formatar os jovens à imagem das ideias e ações da sua ideologia política, pois tal representaria um Estado a caminho do socialismo e não é isso que compete a um Estado democrático, que tem que ser neutro, em matéria de ideologia, embora deva ensinar e explicitar, todos os regimes políticos existentes, de modo a que, mais tarde, o futuro cidadão possa escolher, livremente, o regime que mais lhe agradar.

Há matérias em que o Estado, no regime democrático, não se pode impor e substituir ao papel dos pais, já que são eles os responsáveis pela transmissão, aos filhos, da herança das tradições familiares e da Nação, ou seja, da cultura de um povo, a começar pela língua que é um elemento fundamental do seu património cultural, assim como, usos, costumes e tradições.

O que está em causa exige, pela parte das famílias, a sua defesa intransigente, custe o que custar, mesmo com recurso ao Tribunal Constitucional que certamente irá corrigir essa distração do Governo através do Ministério da Educação.

Quem é que deve zelar, em democracia, pela defesa de um regime democrático?

A resposta é só uma: O povo.

Foi isso que nos ensinaram, no 25 de Abril, que “É o povo quem mais ordena”, e é no povo que reside a soberania, sem esquecer que o Estado é uma Nação organizada cuja soberania reside na Nação, que somos todos nós.

O Ministério da Educação precisa de pessoas que percebam de educação, que sejam cultas, independentes e que tenham a coragem e a hombridade de, dizer e fazer, aquilo que pensam que é melhor para um povo livre e democrático.

Isso levou-nos a recusar um lugar de diretor-geral, vitalício, há 50 anos, um lugar de secretário de Estado, há 40 anos e também o de inspetor superior, tudo no Ministério da Educação, mas pensamos que podemos fazer mais, pela Educação, fora do Ministério, como nos foi dito, que o fizemos, pelo saudoso Professor Ralha, quando, por concurso público, fomos bolseiro no Instituto Nacional de Investigação Científica, durante quatro anos.

Criticámos, fundamentando e ridicularizando, a reforma Veiga Simão, no jornal “A Capital”, que, imaginem, preconizava o grau académico máximo de bacharel, para a Educação Física portuguesa. Era a visão Veiga Simão, cujas ideias combatemos no tocante à formação académica na área da motricidade Humana, e não a pessoa do ministro, como ensinou Santo Agostinho, o que fizemos questão de lhe dizer, pessoalmente, na sua casa em Lisboa, dias depois da Revolução do “25 de Abril”.

Mas, enfim, parece que o ‘M.E.’ entende que a Educação para a Cidadania passa pela educação sexual, questões de género e outros assuntos que o ‘M.E.’ quer “impingir”, à sua maneira, aos filhos de famílias tradicionais e não como Toffler explicou que iriam surgir, anulando ou diminuindo os valores transmitidos pelas famílias que se opõem agora a essa intrusão do Estado em matérias decisivas e que devem ser da sua exclusiva competência na formação e integridade do caráter dos seus filhos.

Isto deverá ser o princípio do fim da liberdade de pensamento e o caminhar para um sistema não democrático.

 

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