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Habitação. Preço médio de venda mantém-se estável

Habitação. Preço médio de venda mantém-se estável

Daniela Soares Ferreira 16/09/2020 22:28

Na sequência da pandemia de covid-19 era esperado que os preços do imobiliário registassem uma descida, mas a verdade é que os valores não têm mostrado grandes alterações tanto no mercado de venda como no de arrendamento. Responsáveis do setor falam em estabilização.

Muitos esperavam que a pandemia trouxesse mudanças no que diz respeito aos preços no setor imobiliário, mas até ver não foi isso que aconteceu. Pelo menos é o que revela o mais recente estudo do Imovirtual: contra todas as expectativas, o preço médio de venda mantém-se estável. Em agosto, esse valor fixou-se nos 341.145 euros, o que representa uma ligeira variação de 0,1% face ao mês anterior.

No que respeita ao preço médio de venda anunciado, o distrito que registou o maior crescimento foi Coimbra (+1,9%) ao passar de 189.545 euros em julho para 193.183 euros em agosto. Do lado contrário está Portalegre, que apresentou a maior quebra (-0,9%) face a julho.

A capital portuguesa continua a ser de longe a região do país com valores mais elevados para se comprar um imóvel, chegando a um preço médio anunciado de 541.750 euros (-0,2%). Dos distritos que compõem o top dos mais caros, apenas a Região Autónoma da Madeira apresenta uma quebra (-2,4%) face ao mês anterior.

Quanto ao mercado do arrendamento, também registou uma pequena variação passando de 1.059 euros em julho para 1.053 euros (-0,6%) em agosto. Portalegre foi o distrito que apresentou a maior quebra no valor (-6%) face a julho deste ano, enquanto Beja foi o que mais se destacou pela positiva (+4%), avança o Imovirtual.

No entanto, quando comparados ao ano passado, os valores apresentam outras variações: no que respeita à venda de imóveis, foi registada uma subida de 4,7%, ao passar-se de 177.112 euros para 203.373 euros. Já no arrendamento verifica-se um decréscimo de 7,9%: a média passa de 1.143 euros em agosto de 2019 para 1.053 euros em agosto deste ano.

E há mais dados a confirmar esta estabilização: também os últimos dados da Confidencial Imobiliário, divulgados ontem, revelam que, em agosto, o preço de venda das casas em Portugal Continental manteve-se praticamente inalterado, apresentando uma variação residual de 0,1% face a julho. Em termos homólogos, os preços das casas aumentaram 11,7% em agosto.

Setor fala em estabilização E se neste momento o preço das casas se mantém, o cenário não seria diferente em julho. Atualmente, são vários os anúncios de venda de casa apontam para um abaixamento de preços. No entanto, os responsáveis do setor preferem falar em estabilização. Em julho, Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), disse ao i que é essa a tendência: “Não podemos afirmar que o mercado de compra esteja a sofrer uma redução de preços”. O responsável acrescentava que o que é possível afirmar é que “estará a haver uma correção dos preços praticados, e em particular nas principais cidades, onde os valores de comercialização já estavam de certo modo acima do real valor de mercado”. “Atualmente não há nenhuma justificação”, continuava, “para que se verifiquem quebras de preços no mercado imobiliário à semelhança do que aconteceu com a última crise, pois desta vez não temos os níveis de endividamento que existiam à data, existe este regime de moratórias dos bancos que são um fôlego para quem possa estar neste período numa situação financeira mais apertada, e além disso não há o excesso de stock. Pelo contrário, no segmento médio e médio baixo, continua a existir falta de habitação adequada às necessidades e possibilidades dos jovens e famílias portugueses”, disse então Luís Lima ao i.

A opinião é partilhada por Ricardo Sousa. O CEO da Century21 lembra que, no mercado imobiliário residencial, os preços são pouco elásticos e, como tal, há uma grande resistência à descida: “Não é expectável uma alteração expressiva do valor real dos imóveis nos próximos meses”. No entanto, lembra que “esta situação irá fomentar um aumento do tempo médio de venda dos imóveis, provocando uma diminuição do número de transações no curto prazo”. Face a este cenário, o responsável acredita que serão os proprietários com urgência em vender que irão fazer ajustes nos preços para conseguirem concretizar uma venda rápida dos seus imóveis.

Também a Era prefere apontar para uma estabilização do mercado e justifica esta tendência com o aumento da oferta de imóveis no mercado, causado pelo momento atual, acabando por contribuir para um equilíbrio entre a oferta e a procura. “O preço das casas, como o preço de qualquer outro bem, reflete a lei da oferta e da procura. Face à oferta crescente de vários projetos que estão, neste momento, em fase final de construção e a uma maior oferta de imóveis que estavam no mercado de arrendamento de curta duração, agora disponíveis para venda, admitimos que os proprietários estão mais flexíveis na negociação dos preços das casas. Esta é uma tendência notória um pouco por todo o país”, diz ao i fonte da mediadora.

Também a Remax admite ter assistido a uma maior margem de negociação por parte de quem vende. “Aumentos e reduções de preços sempre existiram, e o que temos vindo a constatar desde o início do estado de emergência, na segunda quinzena de março, é que, não obstante haver uma quebra na atividade (menos transações realizadas), as variações de preços são muito similares às do ano passado”, refere ao i.

Já para a Predibisa, aquilo a que se está a assistir, com exceção de alguns ajustes que já se vinham fazendo desde o início do ano, é uma redução de atividade. Mas, no seu entender, isso não vai refletir-se numa descida dos preços. “O mercado está a resistir à estratégia de redução de preços em reação à quebra nas vendas. Como em qualquer crise, haverá de certeza uma franja de vendedores que será mais afetada por esta redução de rendimento, desemprego, etc., e se sintam mais pressionados para vender por um preço abaixo do valor de mercado, mas isso não será a regra e não nos parece que vá dar origem a uma redução drástica de preços”, refere Nelma Serpa Pinto, senior director da empresa.

No mercado de arrendamento, o cenário é muito semelhante. “Se no caso da compra e venda não podemos falar de uma descida de preços, no caso do arrendamento a situação é diferente. Este mercado deverá assistir a um aumento da oferta disponível, o que equilibrará os preços que estavam a ser praticados”, defende Luís Lima.

 

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