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Bielorrússia. Entre a espada e Putin: a reunião que pode definir o futuro de Lukashenko

Bielorrússia. Entre a espada e Putin: a reunião que pode definir o futuro de Lukashenko

AFP Hugo Geada 15/09/2020 21:38

O Presidente da Bielorrússia dirigiu-se a Sochi para uma reunião com o seu homólogo russo que poderá ditar o seu futuro enquanto governante.

Face à crescente pressão contra o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, o autocrata viajou até Sochi, na Rússia, para debater com um dos seus últimos (e mais poderosos) aliados, Vladimir Putin, que estratégia devem tomar para se manter no poder.

Lukashenko está entre a espada e a parede e enfrenta ataques internos, com manifestações gigantescas (no domingo reuniram-se mais de 100 mil pessoas e 774 foram presas) que pedem a sua demissão, ou externas – a União Europeia não reconheceu o resultado das últimas eleições, que viram o homem que ocupa o cargo de Presidente da Bielorrússia há 26 anos mais uma vez com 80% dos votos.

Após a reunião, o dirigente russo anunciou que iria conceder um empréstimo avaliado em 1.500 milhões de dólares (1.266 milhões de euros) à Bielorrússia para combater a grave crise económica do país e para refinanciar a dívida deste país à Rússia, avaliada em um bilião de dólares.

Putin ainda apoio a reforma constitucional como forma de ultrapassar a crise no país vizinho, e rejeitou qualquer ingerência externa, afirmando que estes problemas devem ser resolvida pelos próprios bielorrussos.

Ambos os políticos concordaram que era necessário preparem os seus exércitos para “contrariar” uma possível agressão vinda do exterior e, por isso, Putin indicou que as tropas russas, que vão ser enviadas para a Bielorrússia no âmbito das manobras militares antiterroristas “Fraternidade eslava”, regressarão às suas bases quando terminarem os exercícios.

Alguns dos tópicos que analistas acreditam que poderão ser discutidos entre os políticos é a possibilidade, tão desejada pelo Kremlin, de fundir a Bielorrússia numa união de estados, de forma a criar um espaço económico comum gerido por instituições governamentais russas. Lukashenko sempre se opôs a esta decisão, chegando a criticar Putin publicamente e acusando-o de pressionar a Bielorrússia para aceitar esta “fusão”. No entanto, nenhum dos políticos abordou esta questão.

Especialistas acreditam que o Governo de Moscovo irá aproveitar a posição fragilizada de Lukashenko. “A Rússia vai procurar capitalizar ao máximo o seu apoio a Lukashenko”, disse o líder do Political Expert Group, Konstantin Kalachev, à AFP. “Ele está completamente dependente da Rússia”.

No entanto, Andrei Suzdaltsev, cientista político da Escola Superior de Economia da Universidade Nacional, em Moscovo, ressalvou que mostrar apoio a Lukashenko pode ser uma má decisão para a Rússia. O povo bielorrusso sempre manteve boas relações com a Rússia; portanto, apoiar um candidato que perdeu a sua legitimidade aos olhos do povo pode ter resultados negativos. “Lukashenko e integração são incompatíveis”, disse o investigador à AFP, acrescentando que qualquer tipo de acordo com o Presidente bielorrusso pode enfurecer a população local.

Eleições locais No domingo aconteceram as eleições locais da Rússia, em que 41 das 85 regiões do maior país do mundo escolheram os representantes das assembleias regionais ou municipais e quatro deputados para o Parlamento nacional.

Sobre este procedimento pairou uma sombra com o nome de Alexei Navalny. Apesar de o opositor de Putin não se ter apresentado fisicamente – está internado na Alemanha após ter sido envenenado com um agente nervoso do tipo Novichok, uma substância que começou a ser desenvolvida por militares da ex-União Soviética –, diversos apoiantes do político apresentaram a sua candidatura e conseguiram inclusive eleger dois candidatos para a assembleia municipal de Tomsk, na Sibéria, cidade onde Navalny terá sido envenenado.

Andrei Fateev e Ksenia Fadeeva foram os escolhidos e, apesar de parecer pouco, nas assembleias das cidades de Tomsk e Novosibirsk, na Sibéria, o partido que apoia Putin, o Rússia Unida, perdeu a maioria dos votos.

“Esta é a primeira vitória de um gabinete liderado por Navalny”, escreveu Ivan Zhdanov, diretor da Fundação Anticorrupção, no seu Twitter.

Nos dias anteriores, em Novosibirsk realizou-se uma campanha anti-Kremlin em que era possível observar cartazes com os rostos dos candidatos e frases como “Diga não!” e “Vote para mudar o sistema”.

 

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