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Jiadismo. As conversas da célula de Massamá

Jiadismo. As conversas da célula de Massamá

DR João Campos Rodrigues 15/09/2020 09:04

“Foste para a zona da matança e estás a pensar em bebés?”, perguntou Rómulo Costa ao seu irmão Edgar, que combatia pelo Daesh. Agora, Rómulo é o principal arguido do julgamento da célula de Massamá.

Rómulo Rodrigues da Costa, que ganhou a alcunha de “Binas” nas ruas de Massamá, pelo jeito que tinha para arranjar bicicletas, era um enigma para Nero Saraiva, o mais perigoso terrorista português. Em julho de 2013, Nero, a quem chamavam “o imperador”, já combatia há mais de um ano na Síria, entre as tropas do Estado Islâmico. “O Binas então vem ou não vem?”, interrogou Saraiva, por telemóvel, ao irmão mais novo de Rómulo, Celso Costa. Menos de um mês depois, Celso partiria de Lisboa para o campo de batalha, usando o passaporte de Binas para iludir as autoridades e entrar na Turquia. “Ainda não pá, o homem ainda não”, respondeu Celso a Saraiva, que estranhou. “Esse também... está coiso, está possuído com o Xabá”.

O retrato de Rómulo Costa, na pespetiva da Polícia Judiciária (PJ), que vigiou atentamente todos seus passos, enquadra-se no de um homem comprometido com o extremismo islâmico. Cauteloso, ficou para trás, em Londres, enquanto os irmãos mais novos, Celso e Edgar, combatiam na Síria. Mas mesmo à distância via-se como parte de uma missão, um “teste em direção ao infinito”, como descreve num dos materiais de propaganda jihadista caseiros encontrados nas buscas à casa onde vivia com os pais, o ano passado.

Já o advogado de Rómulo, Lopes Guerreiro, assegura ao i que os materiais de propaganda de que fala a PJ são meras músicas de rap e que faltam provas contra o seu cliente. “O que existe são conclusões, inferências, especulações. Sobre outros elementos há provas, mas não dizem respeito ao Rómulo, dizem respeito aos irmãos”. Tudo o que há são “conversas de irmãos”, “comentários infelizes” de há anos atrás, descontextualizadas, defende. Contudo, é difícil imaginar em que contexto alguém apelaria ao irmão que se concentrasse na “matança”, quando este combatia na Síria pelo Daesh, ou que se risse do homicídio de um polícia britânico.

Hoje, Rómulo Costa encontra-se sozinho. Aos 41 anos está em prisão preventiva na cadeia de Monsanto, como o principal arguido no julgamento da célula de Massamá, que deverá começar esta terça-feira, uma vez que os restantes sete arguidos desapareceram nos desertos da Síria e do Iraque, foram dados como mortos ou desaparecidos. À exceção de Nero Saraiva, que assistiu ao nascimento e à morte do califado, acabando ferido e capturado por forças curdas no último reduto dos jihadistas, em Baghouz, e de Cassimo Turé, que está sob medida de termo de identidade e residência (falaremos dele mais à frente).

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