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Populares abraçam-se a árvore para impedir o seu abate

Populares abraçam-se a árvore para impedir o seu abate

Jornal i 14/09/2020 12:16

Cerca de 20 plátanos estão prestes a ser abatidos em Viana do Castelo para melhorar acesso ao porto de mar do município.

Os moradores de Viana do Castelo abraçaram-se esta segunda-feira a um plátano de modo a impedir o seu abate, previsto na obra de acessos ao porto de mar.

Eram 8h00 da manhã quando cerca de meia centena de pessoas se juntou na avenida do Cabedelo para contestar o abate de 20 dos 170 plátanos existentes naquele sítio. A iniciativa foi convocada através das redes sociais.

A associação de moradores do Cabedelo acionou um “embargo extrajudicial da obra” para impedir o abate, mas isso não travou a tentativa de prosseguir os trabalhos, o que levou os populares a abraçarem-se à árvore. A presidente da associação, Mariana Rocha Neves, avançou à agência Lusa que o embargo extrajudicial é uma “figura jurídica que permite a paragem imediata da obra para que, num prazo de cinco dias, o processo judicial seja formalizado".

Mariana Rocha Neves, explicou ainda que este processo é feito numa fase inicial da obra mas tem efeitos imediatos. Se “o encarregado da obra foi informado desse facto e se desobedecer incorre na prática de um crime. No prazo de cinco dias, iremos interpor uma ação junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga". Os agentes da PSP presentes no local informaram o encarregado da obra, mas nem por isso os trabalhadores foram impedidos de iniciar os trabalhos, vendo-se depois confrontados, por volta das 10h18 pelos populares abraçados à árvore.

Além dos dois carros patrulha inicialmente presentes no local, a PSP mobilizou reforço policial.

A Câmara Municipal de Viana do Castelo anunciou na passada sexta-feira que a última fase da empreitada de 3 milhões de euros visava melhorar o acesso ao porto de mar do concelho e iria ter início hoje.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a autarquia referiu que a obra pretende atrair mais atividades económicas ao local, “reduzir os custos operacionais inerentes aos tempos de ligação rodoviária do Porto aos principais polos de atividade, reduzir o ruído e as emissões poluentes, aumentar a segurança da circulação, e contribuir para o descongestionamento da circulação rodoviária, retirando o tráfego pesado das vias urbanas". No comunicado dizia ainda que o trânsito iria ficar condicionado até dia 15 devido ao abate de cerca de duas dezenas de árvores.

Para “minimizar” o impacto do abate das árvores, a câmara municipal pretende investir 30 mil euros na plantação de 200 árvores nos próximos dois anos em vários locais do Cabedelo.

O objetivo desta ação "é repor, mas também reforçar, a capacidade de sequestro de CO2 naquele território e contribuir também para a melhoria do aspeto cénico, conforto climático e dos locais que podem ser usufruídos", explicou a autarquia que tem presidência do socialista José Maria Costa.

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