26/9/20
 
 
Carlos Zorrinho 10/09/2020
Carlos Zorrinho
opiniao

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Linha da frente

Portugal consolidou a sua posição na linha da frente como um dos cinco maiores produtores de energia solar e eólica.

De acordo com dados divulgados pela Bloomberg NEF (New Finance Energy), Portugal consolidou a sua posição na linha da frente como um dos cinco maiores produtores de energia solar e eólica. Na análise, que englobou 138 países, o nosso país surge em quarto lugar, ex aequo com o Reino Unido, na ordenação pela capacidade de produzir energia a partir do sol e do vento, tendo incorporado a partir dessas fontes 28% do total da energia consumida em 2019. Mais do que nós, só o Uruguai com 32%, a Irlanda com 33% e a Dinamarca com 55%.

Estes resultados não são fruto do acaso. Advêm da conjugação, ao longo de mais de duas décadas, da lucidez estratégica, da persistência e da fiabilidade, que permitiram abrir, agora que os custos das energias renováveis atingiram níveis altamente competitivos no mercado livre, as portas para que possamos prosseguir o caminho, captando mais investimento, produzindo mais energia renovável e desenvolvendo e investindo em novas tecnologias de armazenamento e gestão das energias verdes.

Foi esta ambição e lucidez estratégica que permitiram que ao longo de mais de duas décadas, com ligeiros momentos de hesitação de alguns Governos, Portugal fosse atraindo investimento e desenvolvendo conhecimento nas universidades, nos centros de investigação, nas empresas e na sociedade em geral, numa dinâmica transversal aos vários domínios associados ao setor e aplicável quer em instalações de uso industrial, quer em projetos de caráter comunitário ou familiar.

A persistência foi uma atitude determinante, porque ao longo desses anos foi necessário vencer múltiplos obstáculos, demonstrar permanentemente a valia estrutural da aposta e encontrar soluções cada vez mais sofisticadas, para garantir a segurança de um modelo de produção e comercialização que é diverso e complementar do modelo tradicional, baseado nas energias fósseis. Acresce que a necessidade de encontrar soluções inovadoras gerou um conjunto de conceitos, aplicações e produtos que deram a origem a um significativo e reconhecido cluster exportador.

Determinantes foram também a fiabilidade e a transparência incorporadas no processo, porque todas as necessárias negociações e renegociações foram feitas com base num pressuposto de certeza jurídica que evitou dissabores que estão a penalizar países, que fizeram opções diferentes, em termos financeiros e de reputação, e posicionam Portugal como um país altamente atrativo para dar corpo, na fronteira tecnológica, às novas etapas da transição energética combinada com a transição digital. Os resultados dos recentes leilões e os anúncios de novos investimentos nas energias renováveis e em setores industriais correlacionados assim o demonstram.

É neste contexto que, como escrevi recentemente neste espaço, faz sentido a aposta do Governo português em agendas estratégicas articuladas, como a agenda para a neutralidade carbónica, a agenda para a mobilidade limpa, a agenda para a reindustrialização, a agenda digital ou a agenda para o desenvolvimento de um cluster competitivo no domínio da produção e utilização do hidrogénio verde. São trilhos que nos permitirão permanecer de forma sustentada na linha da frente, onde já estamos, na penetração de energia renovável.

 

Eurodeputado

 

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