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Notre-Dame. Cripta da catedral reabre hoje

Notre-Dame. Cripta da catedral reabre hoje

Mariana Madrinha 09/09/2020 15:35

Museus de Paris organizaram também uma exposição que recorda a importância de Victor Hugo e do arquiteto Eugène Viollet-le-Duc na história do monumento.

Mais de 500 dias após as chamas derrubarem uma parte substancial de Notre-Dame, a cripta da catedral parisiense volta hoje a abrir ao público, enquanto as obras de reconstrução vão continuar no local. É mais passo para que o monumento volte a funcionar plenamente em 2024, ano em que o Governo francês acredita que se irão voltar a celebrar missas na catedral e que os turistas vão voltar a circular livremente no ícone parisiense.

O caminho desde que o incêndio devastou Notre-Dame a 15 de abril de 2019 – a catedral, por essa altura, já estava em obras – tem sido longo e encontrado diversos imprevistos. No final de 2019 as obras foram suspensas devido ao mau tempo, depois os responsáveis viram-se obrigados a rever o plano e tomar medidas de precaução extra devido à contaminação por chumbo e, finalmente, a pandemia obrigou a suspender os trabalhos. Também a contestação ao próprio projeto de reconstrução, agora liderado pelo arquiteto Philippe Villeneuve, acabou por atrasar as obras.

O dia de hoje será, pois, simbólico para o futuro da Catedral de Notre-Dame. Para assinalar a ocasião vai ser também inaugurada uma exposição baseada na obra de Victor Hugo, o escritor que transformou a catedral no cenário de O Corcunda de Notre-Dame, publicado em 1831 e que viria a ser obra que aproximou os parisienses do espaço de culto. A exposição, que terá precisamente como mote “Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo a Eugène Viollet-le-Duc”, percorre os 500 anos em que a catedral esteve vetada ao abandono e chegou a ser ponderada a sua demolição, até à publicação da obra de Victor Hugo e posterior recuperação do edifício, então assinada por Viollet-leDuc. A mostra vai ser apresentada num “espaço de 2.200 metros quadrados que revela o coração de Paris entre o I e o IV séculos e que fica imediatamente abaixo do adro da catedral parisiense”, escreve a Lusa, que falou com Charles Villeneuve de Janti, diretor das coleções e comissário-chefe dos Museus de Paris. “Não temos a pretensão de dizer que a nossa exposição vai influenciar o que se passa em cima de nós nas obras na Catedral de Notre Dame, mas o que é marcante é perceber que há 150 anos nos colocávamos exatamente as mesmas questões. Criticámos o arquiteto Eugène Viollet-le-Duc por querer uma nova flecha e ele teve de justificar as suas escolhas”, afirmou.

Charles Villeneuve de Janti referia-se, efetivamente, ao projeto de reconstrução de Notre-Dame no pós incêndio e que foi amplamente discutido no país. Logo após o desastre, Emmanuel Macron chegou a anunciar a possibilidade de dar espaço a um “gesto arquitetónico contemporâneo”, como um pináculo de vidro ou jardins no topo do edifício, como chegou a ser sugerido por alguns arquitetos, mas após uma longa reunião na Comissão Nacional de Património e Arquitetura (CNPA) que decorreu já em em julho deste ano acabou por mudar de ideias e anunciar que a catedral e o pináculo iriam ser restaurados da forma mais idêntica possível à previamente existente. “O Presidente confiou nos especialistas e pré aprovou as principais linhas do projeto apresentado pelo arquiteto-chefe, Philippe Villeneuve, que planeia reconstruir o pináculo de forma idêntica”, confirmou há dois meses, após a reunião, Jean-Pierre Leleux, o senador à frente da CNPA. Na altura, o arquiteto-chefe do projeto apresentou um dossier com 3000 mil páginas, precisou o Le Monde, tendo a proposta sido aprovado por “unanimidade”.

Já a cripta que hoje reabre foi um dos espaços que escapou ileso ao incêndio, mas a reabertura acabou por ser adiada até agora. “Demorou muito tempo. Ao início, queríamos abrir logo após o incêndio. Portanto preparámos logo esta exposição, para a reabertura da cripta apenas poucas semanas depois do incêndio. [Mas] disseram-nos que havia o problema do chumbo. E foi logo interdito o acesso à catedral, ao adro da catedral e a cripta também fez parte deste perímetro de segurança”, acrescentou o diretor das coleções e comissário-chefe dos Museus de Paris.

 

Um longo caminho

O incêndio de 15 de abril demorou quase nove horas a ser controlado. A origem do fogo não ficou totalmente apurada, com as autoridades a não descartarem a hipótese de ter sido causado por um cigarro mal apagado ou por um curto-circuito decorrente das obras de manutenção e de restauro do pináculo da catedral gótica que decorriam no local, sendo esta última apontada como a causa mais provável.

Algumas das estruturas necessárias a essas primeiras obras e que arderam no incêndio tornaram-se nos meses seguintes ao desastre em mais uma dor de cabeça para as autoridades. As chamas destruíram a estrutura de andaimes colocados em 2018 – no total, são mais 40 mil peças que pesam mais de 200 toneladas – e que o fogo transformou num emaranhado de metal que ameaçava, já no final do ano passado, as abóbadas e o equilíbrio da Catedral de Notre-Dame, escrevia a RFI.

A fase de consolidação estrutural do edifício é essencial para que as grandes obras de restauro que se seguem comecem. O general Jean-Louis Georgelin, nomeado para supervisionar a reconstrução, afirmou em julho que até ao final deste mês a complexa operação de retirada dos andaimes estará completa e que as obras de reconstrução efetivamente ditas começam em força em janeiro de 2021.

 

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