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IndieLisboa. Pelos caminhos que ligam Dakar a Lisboa

IndieLisboa. Pelos caminhos que ligam Dakar a Lisboa

Cláudia Sobral 21/08/2020 22:51

O IndieLisboa regressa ao Cinema São Jorge e à Culturgest, em Lisboa, entre esta terça-feira e o próximo dia 5.

 

No ano em que viu a sua realização ameaçada, o IndieLisboa regressa ao Cinema São Jorge e à Culturgest, em Lisboa, entre esta terça-feira e o próximo dia 5. Com a estreia da também atriz Monia Chokri na realização de longa-metragem como filme de abertura, à 17.ª edição o festival detém-se, nas retrospetivas dedicadas a Ousmane Sambène e Mati Diop, no cinema africano - ao mesmo tempo que celebra com um ciclo retrospetivo os 50 anos da secção Forum da Berlinale.

 

La Femme de Mon Frère, 
de Monia Chokri

Em 2014, ao IndieLisboa, Monia Chokri, até então atriz conhecida sobretudo pelas suas participações nos filmes de Xavier Dolan, trazia a curta-metragem com que se estreava na realização: Quelqu’un d’extraordinaire. Seis anos depois, a 17.ª edição do festival, este ano adiada para o final de agosto, arranca com a sua primeira longa-metragem, La Femme de Mon Frère, como filme de abertura. Uma comédia sobre a passagem à idade adulta de uma mulher, interpretada por Anne-Élisabeth Bossé.

 

Ceddo,
de Ousmane Sembène

“O cinema serve simplesmente como tela sobre a qual refletimos juntos. O importante é que o cinema se torne olho, espelho e consciência”, disse um dia Ousmane Sembène, cineasta senegalês cuja obra o 17.º IndieLisboa coloca em retrospetiva. Ceddo (1977), intitulado com o nome dado aos últimos detentores do espiritualismo africano antes da chegada do islamismo e do cristianismo, foi na época censurado. Conta-se que, contra a censura, Sembène distribuía ele próprio à saída das salas panfletos nos quais descrevia as cenas cortadas. 

 

Mille Soleils,
de Mati Diop

Em foco na secção Silvestre deste 17.º Indie (e na mesma edição que a Lisboa o festival traz a obra de Ousmane Sembène) está a cineasta franco-senegalesa Mati Diop. Mille Soleils, o grande vencedor do IndieLisboa de 2014, a que o festival aproveita para regressar, é apenas um dos seis filmes percorridos por esta retrospetiva feita em três sessões, que inclui Atlantique, a mais recente longa-metragem de Diop, Grande Prémio do Júri na edição de Cannes do ano passado.

 

A Metamorfose dos Pássaros,
de Catarina Vasconcelos

A estreia na longa-metragem de Catarina Vasconcelos, premiada na nova secção Encounters do Festival de Berlim, tem a sua primeira exibição em Lisboa como parte da Competição Nacional deste IndieLisboa. Uma obra poética que parte da história familiar da realizadora e da figura de Beatriz, sua avó que, com o marido no mar, tratou de seis filhos, entre os quais Jacinto, o pai da realizadora, para pensar questões como a morte ou a família.

 

O Fim do Mundo, 
de Basil da Cunha

Também parte da Competição Nacional de longas-metragens deste IndieLisboa, O Fim do Mundo marca o regresso de Basil da Cunha à Rebolbeira, com as retroescavadoras que destroem o bairro como pano de fundo, sete anos depois de Até Ver a Luz. A história é a de Spira, jopvem de 18 anos que regressa ao bairro depois dos anos que passou num centro de detenção juvenil. Com produção suíça, o filme estreou-se na edição de Locarno de 2019.

 

O Cordeiro de Deus,
de David Pinheiro Vicente

Depois de ter levado às Berlinale Shorts, em 2018, Onde o Verão Vai: Episódios da Juventude, o regresso do jovem cineasta português David Pinheiro Vicente faz-se com O Cordeiro de Deus. Curta-metragem  sobre “a Páscoa do crescimento, do desejo e da carne” e com produção de Gabriel Abrantes (Diamantino), O Cordeiro de Deus integra a seleção oficial de curtas do Festival de Cannes deste ano, que deu no passado a Palma de Ouro a João Salaviza. No IndieLisboa, é exibido na competição internacional de curtas-metragens.

 

Fojos,
de Anabela Moreira e João Canijo

Depois de Portugal - Um Dia de Cada Vez (2015) e de Diário das Beiras (2017), Anabela Moreira e João Canijo (Sangue do Meu Sangue e Fátima) continuam a colaboração que os tem juntado nos últimos anos na realização de documentários que retratam realidades das regiões norte e centro. Em Fojos, exibido numa sessão especial, o quotidiano dos habitantes de Castro Laboreiro, a terra mais a norte de Portugal, ensombrada pela presença dos lobos.

 

Rizi, 
de Tsai Ming-Liang

Kang (Kang-sheng Lee) é um homem só assolado por uma misteriosa dor; Non vive num pequeno apartamento de Banguecoque. Em Rizi, o mais recente filme do tailandês Tsai Ming-Liang os dois encontram-se na partilha da sua solidão. Depois de se ter estreado na competição do último Festival de Cinema de Berlim, em Fevereiro, Rizi (intitulado Days, em inglês) integra a secção Silvestre deste Indie, dedicada a obras que rejeitando fórmulas consagradas se aventurem pela exploração de novas linguagens.

 

Billie,
de James Erskine

No final da década de 1960, quando preparava uma biografia que nunca chegou a concluir, a jornalista Lipnack Kuehl gravou mais de 200 horas de entrevistas com músicos, amigos, amantes e familiares de Billie Holiday. Agora, e depois de aceder a esse material e também a imagens de arquivo da cantora, o realizador britânico James Erskine entrega-nos Billie. Um documentário sobre a lenda do jazz que integra a secção Indie Music.

 

Um Animal Amarelo,
de Felipe Bragança

Do brasileiro Felipe Bragança assistiu-se justamente no último IndieLisboa a Tragam-me a Cabeça de Carmen M. (ensaio poético sobre o Brasil na transição para a governação de Bolsonaro correalizado com Catarina Wallenstein). Com coprodução portuguesa da O Som e a Fúria, Um Animal Amarelo, que conta a história de Fernando, um cineasta falido que se questiona sobre como fazer um filme num país que perde a sua identidade, estreou-se este ano em Roterdão e chega agora ao Indie como filme de encerramento da edição de 2020.

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