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Desemprego. Em três meses foram destruídos 1500 empregos por dia

Desemprego. Em três meses foram destruídos 1500 empregos por dia

Sónia Peres Pinto 19/08/2020 17:37

As contas são do economista Eugénio Rosa, que acusa o INE de “falsear” números e garante que “milagre não é real”. .

Em apenas três meses – entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano – foram destruídos 135 mil empregos, o que dá uma média de 1500 empregos por dia. O alerta é feito pelo economista Eugénio Rosa, que garante que a população empregada neste período diminuiu de 4,866 milhões para 4,731 milhões – números que, de acordo com o mesmo, não coincidem com os que foram avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que revelou que a população desempregada diminuiu de 348,1 mil para 278,4 mil, ou seja, em 69 700 pessoas. “É um verdadeiro ‘milagre’ realizado pelo INE. São destruídos 135 mil postos de trabalho e, portanto, 135 mil perdem o emprego. No entanto, o ‘desemprego oficial’ calculado pelo INE , no lugar de aumentar nesse período, até diminuiu em 69 700”. 

O economista vai mais longe e diz mesmo que a “a ocultação da realidade é tão grosseira que é evidente que a metodologia utilizada pelo INE para determinar o número de desempregados não permite conhecer a realidade do desemprego no nosso país”, acrescentando que os dados do gabinete de estatística “não traduzem a realidade”.
Este cenário leva Eugénio Rosa a questionar a “engenharia” utilizada pelo INE para reduzir o “desemprego oficial” e assim “ocultar a verdadeira e dramática situação do ‘desemprego real’ em Portugal”. Mas dá uma resposta: “É considerar como não desempregados todos os trabalhadores desempregados que não procuraram emprego no período em que foi realizado o inquérito – os que o INE designa por ‘inativos disponíveis’”. 

E lembra que estes inativos disponíveis entre o primeiro e o segundo trimestre aumentaram de 166,4 mil para 312,1 mil, ou seja, mais 87,6%. “Se adicionarmos os inativos disponíveis ao desemprego oficial obtemos, para o primeiro trimestre, 514 500 desempregados, e, para o segundo, 590,5 mil (+76 mil), portanto um ‘desemprego real’ muito superior ao ‘desemprego oficial’ do INE”. Ainda assim, garante que esta subida continua a ser inferior à destruição de emprego registada neste período. 

Eugénio Rosa diz ainda que se forem comparados os valores de 31 de março com os de 30 de junho, as conclusões são muito mais graves. “Segundo estimativas mensais de emprego do INE, entre esse período, a população empregada diminuiu de 4,812 milhões para 4,658 milhões (-154,5 mil), enquanto o desemprego oficial aumentou de 317,2 mil para 350,9 mil (+33,7 mil), mas o desemprego real subiu de 497,2 mil para 632,5 mil (+135,3 mil)”.

As críticas não ficam por aqui. O economista lembra também que “para se poder ficar com uma ideia da situação dramática que enfrentam já os trabalhadores que perderam o emprego, interessa dizer que, segundo as estatísticas da Segurança Social, o numero de desempregados a receber subsídio de desemprego em março de 2020 era de 173 815 e em junho de 2020 aumentou para 221 701 (apenas +47 886), sendo o subsídio médio de desemprego pago a estes desempregados de apenas 504,65 euros”. De acordo com as suas contas, em junho, quase 411 mil desempregados não recebiam subsídio de desemprego. 

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