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Beirute. Um relato em primeira mão

Beirute. Um relato em primeira mão

Hugo Geada 17/08/2020 09:46

Limpar vidros do chão, improvisar novas janelas para não deixar entrar chuva nas casas. Uma libanesa e uma portuguesa explicam o que andam os voluntários da Juventude Mariana Vicentina a fazer para ajudar a população de Beirute depois das explosões do dia 4 de agosto.

“É a primeira vez que vejo algo como isto, este foi o acontecimento mais chocante no Líbano desde a guerra”, explica ao i Maria Sfeir, presidente da Juventude Mariana Vicentina do Líbano. “Mesmo quando havia guerra no Líbano, não era assim. Esta foi a terceira maior explosão em todo o mundo”, acrescenta.

Esta organização cristã de apoio social com presença nos cinco continentes está nas ruas de Beirute a tentar amenizar a destruição provocada pelas duas explosões que ocorreram no porto da capital libanesa no dia 4 de agosto e que causaram mais de 200 mortes.

“Estivemos nas ruas de Beirute, a tentar perceber quem é que precisava de ajuda e a limpar as suas casas”, relata Maria, referindo que após o desastre grande parte do trabalho que ela e os cerca de 50 jovens voluntários que estão a auxiliar as vítimas passa por limpar vidros partidos. “Nos primeiros dias depois das explosões grande parte do nosso trabalho foi ajudar a limpar e a remover os vidros partidos que se encontravam no chão das escolas nas três escolas das Filhas da Caridade, em Beirute”.

Algo que damos por garantido como a proteção que as janelas proporcionam aos nossos lares tem sido fonte de problemas para a população libanesa. “Estamos a ajudar as pessoas a fechar as janelas com nylon ou madeira porque nos últimos dias choveu e, como todas as janelas estavam abertas por os vidros estarem partidos, as pessoas precisam de uma solução rápida porque estava a entrar água para as suas casas”.

Além de ajudar a limpar os destroços, a organização está a distribuir alimentos para as famílias carenciadas, recorrendo a doações oferecidas por organizações e voluntários, mas mesmo estas organizações foram afetados pela catástrofe.

Mafalda Guia, dirigente da Juventude Mariana Vicentina em Portugal, que está a acompanhar este caso à distância, explica o processo: “Temos acompanhado não só o que os jovens do movimento têm feito em Beirute, mas também o trabalho de outros ramos da família vicentina, como os Padres Vicentinos”, disse. “A casa provincial dos padres foi destruída e, atualmente, estão a limpar os destroços e a tentar recuperar o espaço para conseguirem acompanhar e continuar a dar apoio às famílias que já acompanhavam. Nesta casa provincial, totalmente destruída e inabitável, está a ser feito o esforço para remover os destroços e os alimentos que eram destinados a ajudar 500 famílias. Neste momento, não há alimentos para distribuir”, explicou.

“O foco agora é a reconstrução para se poder continuar a ajudar quem antes da explosão já precisava de ajuda. Agora, sem dúvida alguma, serão muitos mais”, declara Mafalda Guia.

 

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