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Paz e traição. Acordo de Abraão

Paz e traição. Acordo de Abraão

Hugo Geada 15/08/2020 09:14

Com a ajuda de Donald Trump, Israel e os Emirados Árabes Unidos assinaram um acordo de paz para a História.

Um enorme avanço, hoje! Acordo de paz histórico entre os nossos dois grandes amigos, Israel e os Emirados Árabes Unidos», Donald Trump anunciou no seu Twitter.

Os velhos amigos a que se refere são Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, e Mohammed bin Zayed, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que, depois de uma conversa telefónica a três, alcançaram um acordo de normalização de relações entre os respetivos estados.

Com a designação de ‘Acordos de Abraão’, ficou ainda definido que Israel se comprometeu a não anexar a parte da Cisjordânia, na margem ocidental do rio Jordão, como estava previsto.

«Hoje começa uma nova era nas relações entre Israel e o mundo árabe», disse o primeiro-ministro israelita, numa mensagem transmitida pela televisão. «Em 1979, [Menahem] Begin assinou a paz com o Egito, em 1994 [Yitzhak] Rabin assinou com a Jordânia e eu tenho o mérito de assinar em 2020 o terceiro acordo de paz com um país árabe. É um verdadeiro acordo de paz, não é um slogan», afirmou.

Em declarações aos jornalistas, Donald Trump garantiu que este era «um momento verdadeiramente histórico». «Agora que se quebrou o gelo, espero que mais países árabes e muçulmanos sigam os Emirados Árabes Unidos» disse.

O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed, também utilizou o Twitter para reagir à notícia. «Durante uma chamada telefónica com o Presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu, chegámos a um acordo para impedir novas anexações de territórios palestinos por Israel. Os Emirados Árabes Unidos e Israel também concordaram em cooperar e desenhar um roteiro para o estabelecimento de uma relação bilateral», escreveu.

As autoridades de Israel e dos Emirados Árabes Unidos irão reunir-se nos próximos dias, de forma a estabelecerem projetos conjuntos a níveis tão diferentes como o turismo ou a tecnologia.

«A maioria dos países verá nele um passo ousado para alcançar uma solução de dois Estados, dando tempo para as negociações», declarou o chefe da diplomacia dos Emirados, Anwar Gargash, numa conferência de imprensa, durante a qual adiantou que os dois países não demorarão muito tempo a abrir as embaixadas.
Depois da Jordânia e do Egito, os Emirados Árabes Unidos são o terceiro país a anunciar ligações diplomáticas com Israel. Segundo o Guardian, esta notícia pode causar repercussões pelo Médio Oriente.

Reações ao acordo
Foram muitos os dirigentes mundiais que mostraram o seu apoio ao acordo. Para Boris Johnson, são «muito boas notícias». «Era a minha esperança profunda que a anexação não avançasse no Médio Oriente e este acordo e a suspensão desses planos são mais um passo no caminho para um Meio Oriente mais pacífico», declarou o primeiro-ministro britânico. 

Até o concorrente de Trump nas eleições presidenciais elogiou o acordo. «Israel e os Emirados Unidos deram um passo histórico para apagar as profundas divisões do Médio Oriente», reconheceu Joe Biden.

Contudo, alguns países mostraram desagrado com o acordado, especialmente por deixar a Palestina, que antes contava com o apoio árabe em bloco na luta pela independência numa situação delicada.

O ministro dos negócios estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, também não vê o tratado com bons olhos. no seu entender, a cooperação entre Israel e os Emirados Árabes Unidos «foi uma ‘facada’ injustamente dada pelos Emirados Árabes nas costas dos palestinianos e de todos os muçulmanos», cita o The Guardian.

Também a Turquia, cujo Presidente, Recep Tayyip Erdogan, apesar de manter relações diplomáticas com Israel, tem sido um dos maiores apoiantes da causa palestiniana, condenou os Acordos de Abraão.

 «A história e a consciência das pessoas que vivem nesta região nunca vai esquecer e nunca vai perdoar este comportamento hipócrita», disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

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