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Manuel J. Guerreiro 14/08/2020
Manuel J. Guerreiro

opiniao@ionline.pt

As eleições presidenciais e o posicionamento dos partidos políticos do centro-direita

Não vale a pena continuar a adiar – no espaço do centro-direita – a inevitável discussão pública sobre a questão presidencial que é óbvia e, a meu ver, de simples resolução. Mas que, por razões de cariz estritamente partidário e pessoal, está-se a tornar numa ridícula demonstração de “neo-feudalismo” e, porquanto, de inutilidade absoluta para o país e para o povo português e que apenas reforçará nesta área política uma ainda maior abstenção eleitoral.

Mas vamos por partes:

1 – É uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República, eleito há quase cinco anos, essencialmente, com os votos do centro-direita, será recandidato em Janeiro próximo.

2 – É uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República será reeleito para um segundo mandato, só não se sabendo com que dimensão de votação concreta e expressão de vitória.

3 – É uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República tem uma popularidade estridente, provavelmente maior da que detinha Mário Soares em 1991.

4 – É uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República tem tido também, ao longo do seu primeiro mandato, uma forte contestação e oposição de uma parte do seu eleitorado natural que há cinco anos nele votou. Não sendo, porém, tão evidente, claro e inequívoco, qual a dimensão real desse mesmo descontentamento que, por vezes, parece circunscrito aos dirigentes e militantes activos dos novos partidos políticos de centro-direita formados nos últimos anos com e sem representação parlamentar, bem como de outros ex. dirigentes e militantes do PSD e do CDS.

5 – É, igualmente, uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República – à semelhança do que ocorreu com Mário Soares em 1991 – terá o apoio oficial do maior partido e tradicional adversário e alternante democrático na governação ao partido político donde é oriundo o recandidato. E mesmo que não venha a acontecer esse apoio público e oficial do PS a Marcelo Rebelo de Sousa, haverá liberdade de volto, o que se traduzirá numa esmagadora maioria de votos provenientes do eleitorado socialista no recandidato presidencial.

6 – É, assim, uma evidência clara e inequívoca que o actual Presidente da República terá apoios do PSD, CDS, PS e, talvez até, do PAN. Sendo certo que irá buscar votos, ainda que isolados e sem grande expressão, ao eleitorado das esquerdas à esquerda do PS.

Perante tamanhas evidências, claras e inequívocas, a que eu chamaria de futurologia básica para totós, o que resolve fazer o tal centro-direita descontente com aquilo que tem sido o mandato “digital-pop” presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa?

A resposta parece ser a de pretender repetir a receita fratricida das últimas eleições legislativas, levando desta vez a sufrágio, representantes das respectivas agremiações partidárias, desvirtuando em absoluto o objectivo real e concreto das próprias eleições a que se candidatam, recolhendo com isso nas urnas uma previsível humilhação – nalguns casos – com potenciais consequências e eventuais sequelas auto-destrutivas.

É, pois, uma lástima e uma tristeza que não tenha aparecido alguém independente, com prestígio, com currículo e com espírito de missão em disputar umas eleições presidenciais para perder, mas que fosse capaz de unir em seu torno o velho e o novo centro-direita que não se revê na forma de actuação do actual mais alto magistrado da nação.

Claro que ainda seria possível, caso assim quisessem, encontrar essa personalidade capaz de fazer cair os putativos candidatos partidários a estas eleições presidenciais e que levasse ainda a garantir apoios nos sectores mais liberais do CDS e PSD. Mas um tal cenário, sensato, inteligente e, acima de tudo, útil ao país, é algo, no entanto, pouco crível por estes dias estranhos…  

Assim sendo, teremos vários candidatos para perder e para perder clamorosamente!

Nota: Com os até agora conhecidos putativos candidatos presidenciais, se as próximas eleições para a Presidência da República se realizassem hoje, com total certeza e em completa consciência, votaria em branco ou simplesmente não votaria.

Jurista.

Escreve de acordo com a antiga ortografia.          


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