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Kamala Harris. Um casamento sem remorsos para destronar Trump

Kamala Harris. Um casamento sem remorsos para destronar Trump

AFP Hugo Geada 13/08/2020 14:06

Depois de semanas sem se saber quem iria assumir o cargo, Kamala Harris foi a escolha de Joe Biden para ser vice-presidente. 

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, anunciou ontem ter escolhido a senadora negra Kamala Harris, de 55 anos, para ser a sua vice-presidente e desafiar Donald Trump nas urnas.

Esta escolha parece ter sido bem recebida pelo partido. O ex-Presidente dos EUA Barack Obama elogiou-a no seu Twitter. “Conheço a senadora Kamala Harris há muito tempo. Ela está mais do que preparada para o cargo. Passou toda a sua carreira a defender a nossa Constituição e a lutar pelos mais necessitados. Este é um bom dia para o nosso país. Agora vamos lá ganhar isto”, escreveu.

Biden já tinha prometido, em março, num debate com Bernie Sanders, que iria escolher uma mulher – e depois dos movimentos antirracistas provocados pela morte de George Floyd crescia a pressão para o candidato escolher uma mulher negra para o cargo. 

Caso Joe Biden vença as eleições, a senadora da Califórnia será a primeira mulher negra a ocupar a vice-presidência dos Estados Unidos. 

Mas quem é, afinal, Kamala Harris? Nascida a 20 de outubro de 1964 em Oakland, Califórnia, Harris é filha de Shyamala Gopalan Harris, investigadora indiana do cancro da mama, e de Donald Harris, professor jamaicano de Economia na Universidade de Stanford. Desde muito cedo se interessou pelo movimento dos direitos civis, inspirada pela atuação de carismáticos líderes como o juiz Thurgood Marshall, a ex-senadora Constance Baker Motley ou o advogado Charles Hamilton Houston.

Depois de ter concluído o curso de Direito na Universidade Howard e na Universidade da Califórnia, Harris foi procuradora-geral adjunta do Condado de Alameda entre 1990 e 1998, mas foi em 2003, ao tornar-se a primeira mulher negra a chegar a procuradora de São Francisco, que começou a destacar-se. Lidou com diversos escândalos – o mais mediático envolveu o homicídio de um polícia, Isaac Espinoza, por um membro de um gangue que a procuradora defendeu de ser condenado à pena de morte.

A carreira de Kamala Harris continuou em rápida progressão: em 2011 tornou-se procuradora-geral da Califórnia e, em 2017, senadora dos Estados Unidos em representação deste estado. Neste cargo prometeu proteger os imigrantes das políticas de Donald Trump.

Em 2019 candidatou-se às eleições presidenciais e defendeu medidas como legislação para prevenir a violência com armas de fogo, a legalização da marijuana medicinal, redução de impostos para a classe média, a elevação do salário mínimo para 15 dólares por hora, o combate ao aquecimento global e a criação de um sistema de saúde universal. Contudo, após enfrentar dificuldades em arrecadar fundos e um declínio nas sondagens, acabou por renunciar.
Agora, após o anúncio da sua escolha para vice-presidente, foi acusada por Trump de ser “uma radical de esquerda”, embora não fosse uma das favoritas da ala esquerda dos democratas. O seu historial na luta contra a pequena criminalidade, nomeadamente a posse de marijuana (Kamala Harris autointitulou-se “top cop”, superpolícia), causa algumas preocupações num contexto em que se pede que a polícia tenha “um lugar menos proeminente na sociedade”, escreve o Washington Post.

Para alguns, Harris foi uma escolha surpreendente dada a forma como atacou Biden nos debates, nomeadamente na questão do racismo – algo que parece ter sido posto para trás das costas. Em julho, uma foto das notas de Biden para uma conferência de imprensa mostrava a frase “não guardar rancores”.

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