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Afonso de Melo 12/08/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Roubaram o céu ao meu cavalo

” Não haverá também sofrimento no deserto? Eu, que atravessei muitos, desde o Sara ao Gobi, do deserto da Arábia ao do Thar, nunca dei por isso.

Cavalgo à garupa destas semanas que fervem como um cavaleiro do Apocalipse através do Inferno. Recordo-me daquela canção dos America: “I’ve been through the desert on a horse with no name/ It felt good to be out of the rain/ In the desert you can remember your name/ ‘Cause there ain’t no one for to give you no pain...” Não haverá também sofrimento no deserto? Eu, que atravessei muitos, desde o Sara ao Gobi, do deserto da Arábia ao do Thar, nunca dei por isso. Dou apenas pelo passar vertiginoso dos dias que não parece trazer nada de bom. De tempos a tempos preciso de voar como os pássaros que me pousam na varanda, devorando os bagos de arroz que lhes sirvo em jeitos de delicado empregado de restaurante. Setembro está já aí, e outubro e novembro, e desta vez tiraram-me o céu no qual voo para a Índia inevitável, minha mãe, meu pai, minha primeira grande verdade. “The heat was hot and the ground was dry/ But the air was full of sound”.

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