17/1/21
 
 
Afonso de Melo 10/08/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Ele voava de asas nos pés

 Um rapazinho com a camisola número treze, o número de Eusébio no Campeonato do Mundo de 1966, também ele ainda rapaz que ia traçando no firmamento as órbitas arbitrárias nas quais os astros fingidos perdem a majestade, como escrevia o Torga.

Quando voava pela direita, era como um Mercúrio negro de asas nos pés. Tinha pressa; tinha sempre pressa. Uma mensagem de Júpiter para entregar, provavelmente, e Júpiter não tem paciência para esperas. Depois havia também o número treze. Há uma magia no número treze. Sexto número primo, divisível por 1 e por ele mesmo, número atómico do alumínio, sétimo número da Sequência de Fibonacci, essa sequência de números inteiros na qual cada termo subsequente corresponde à soma dos dois anteriores. E há também para lá das convenções incompreensíveis das matemáticas, a simplicidade de um menino que corre sem parar com a bola colada aos pés e a alegria natural de o fazer porque é esse o seu destino. Um rapazinho com a camisola número treze, o número de Eusébio no Campeonato do Mundo de 1966, também ele ainda rapaz que ia traçando no firmamento as órbitas arbitrárias nas quais os astros fingidos perdem a majestade, como escrevia o Torga.

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