25/9/20
 
 
António Luís Marinho 07/08/2020
André Luís Marinho
cronista

opiniao@newsplex.pt

A direita e as alianças

Portugal tem sido, no contexto europeu, quase um caso à parte nas novas tendências políticas, tendo-se mantido entre o centro-direita e o centro-esquerda. 

Em gozo de férias no Minho, Rui Rio terá algum tempo, certamente, para pensar no futuro e em que peças vai movimentar no xadrez político nacional.

Recentemente, o líder do PSD até admitiu “conversar” com o Chega, mas só se o partido de André Ventura evoluir para uma “posição mais moderada”.

Como é óbvio, o líder do Chega rejubilou e respondeu de imediato: “O Chega também só aceitará conversar com um PSD que aceite ser oposição à séria, e não a dama de honor do governo socialista”. 

No PSD ergueram-se algumas vozes contestatárias. José Eduardo Martins, antigo secretário de Estado do Ambiente e em quem muitos apostam para uma futura liderança do PSD, criticou a posição de Rui Rio afirmando que “se o Chega mudar, não faz sentido”, acrescentando que “a mudança que faz falta não virá nem do Chega nem do triste suicídio do CDS”.
Rui Machete, um histórico do partido, vaticinou que o caminho escolhido por Rui Rio “não levará o partido a governar o país”. 

E até o PS quis marcar posição, admitindo que “negociações entre PSD e Chega significariam a rutura com a cultura social-democrata”.

Aqui chegados, o que resta à direita portuguesa em matéria de alianças para tentar vencer a esquerda liderada pelo PS?
Na verdade, a aliança que foi considerada impossível durante décadas – PS com BE e PCP – acabou por se concretizar com sucesso e, tudo indica, pode continuar a estar na base de um futuro Governo liderado pelos socialistas. 

Foi esta “improbabilidade” que afetou seriamente a direita que, a partir daí, não mais encontrou um rumo. O PSD abanou e perdeu influência, enquanto o CDS parece condenado à irrelevância. 

Eram estes os parceiros tradicionais das coligações de direita, que foram alternando no poder com os socialistas que, até 2015, depois de uma experiência de bloco central (1983-85), governaram “orgulhosamente sós”.

Com a entrada do Chega no jogo político e com a sua tendência de crescimento, a direita tradicional ainda ficou mais baralhada, adivinhando, por um lado, um longo jejum governativo e, por outro, a convivência com um vizinho incómodo, com tendência para ocupar espaço sem pedir licença.

Portugal tem sido, no contexto europeu, quase um caso à parte nas novas tendências políticas, tendo-se mantido entre o centro-direita e o centro-esquerda. 

A aliança do PS com BE e PCP fez pender a balança para o prato da esquerda, mas o contraponto para a direita não foi significativo, embora tenham surgido duas novas formações políticas com representação parlamentar: a Iniciativa Liberal e o Chega, conotado com a extrema-direita, ambos com um deputado eleito. 

A crise económica que vamos atravessar e a forma como o Governo souber ou não reagir a ela vão determinar certamente o resultado das próximas eleições, daqui a três anos, ou, em caso extremo, a antecipação das legislativas. As presidenciais do próximo ano serão para um candidato, André Ventura, um importante teste.

 

Jornalista

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