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Pandemia. Irá Portugal seguir as pisadas dos australianos?

Pandemia. Irá Portugal seguir as pisadas dos australianos?

AFP Hugo Geada 06/08/2020 20:59

Confinamentos locais ou regionais quando chegar o outono não são postos de parte pela DGS. Em Vitória, as autoridades não hesitaram.

A Austrália adotou medidas duras para travar o ressurgimento da covid-19 nas últimas semanas. Depois de, no início da semana, ter decretado estado de calamidade no estado de Vitória, agora, na capital, Melbourne, onde já tinha sido imposto, domingo, um recolher obrigatório entre as oito da noite e as cinco da manhã, foram impostas multas até 3500 euros para quem desobedecer esta lei. 

Em Portugal, a DGS admitiu que este país seria uma referência para o que esperar no inverno. E embora os epidemiologistas australianos não concordem que a culpa seja da mudança de estação, mas das medidas para controlar o vírus, o cenário não é animador. É o que podemos esperar no outono? Para Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é notório que o país está agora numa fase mais complicada. O investigador, que tem sido um dos consultores da DGS na resposta à pandemia, admite, que as medidas mais drásticas que se veem em Melbourne possam vir a ter de ser tomadas em Portugal, bem como em todos os países da Europa. 

“Esse problema vai ser colocado com maior agudeza depois da abertura das escolas, prevista para setembro”, explica Carmo Gomes. “Duas ou três semanas depois podemos ter um problema preocupante porque esta reabertura vai permitir aos pais retomarem a sua vida normal e passarem mais tempo em espaços fechados e não ventilados, o que inclui as escolas. Portanto, a probabilidade de termos um ressurgimento é alta e temos de estar preparados para isso”, adverte.
Manuel Carmo Gomes acrescenta que evitar um segundo confinamento geral dependerá de como o Governo responder ao ressurgimento. E considera que uma boa forma de evitar este procedimento seria, à semelhança da Austrália, “apelar a um caminho geograficamente mais limitado” e aplicar um confinamento específico.

“O confinamento, dependendo da gravidade do problema, pode ser pensado para a área afetada. Há aqui uma gradação que depende da extensão e avaliação do problema”, explicou. “Se o ressurgimento acontecer em Faro, com certeza não será em Lisboa que se fará o confinamento, não é?”, pergunta. António Costa já advertiu que o país não pode voltar a um confinamento geral e a ideia de confinamento localizado foi ontem, mais uma vez, colocada em cima da mesa na conferência de imprensa da DGS, pelo subdiretor-geral da Saúde, Rui Portugal.

“As medidas de confinamento são sempre relacionadas com o risco e devemos pensar sempre em termos de avaliações não exclusivamente nacionais, mas também regionais e locais, como as que estão a ser implementadas na zona metropolitana de Lisboa. Acho que esse deve ser o caminho a seguir”, revelou. “São situações que devem ser avaliadas e haverá pareceres técnicos nos momentos que forem adequados”.

O que se passa na Austrália Com o país a começar a sentir as frias temperaturas do inverno (nos últimos dias, as mínimas em Melbourne rondaram os 2 oC), o número de infeções voltou a disparar. A Austrália apresenta um total de 8398 casos ativos.

A cidade de Melbourne, que nas últimas 24 horas registou 725 novos casos e 15 mortes, é o epicentro da segunda vaga. 
Intitulada como a “Fase 4”, os habitantes de Melbourne só podem sair de casa para comprar comida e artigos essenciais, prestar auxílio, trabalhar e fazer exercício (num perímetro de 5 km da residência e limitado a uma hora por dia). Hoje vão ser encerrados todos os estabelecimentos comerciais não essenciais e a maior parte das empresas, que serão compensadas com subsídios até 10 mil dólares australianos (cerca de seis mil euros). Supermercados, farmácias e lojas de bebidas estão entre os estabelecimentos que continuam a funcionar.

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