17/1/21
 
 
Carlos Zorrinho 06/08/2020
Carlos Zorrinho
opiniao

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Bancos bons

É legítimo esperar que o Banco Português de Fomento ajude a promover um novo ciclo de credibilidade e contributo para o desenvolvimento do país. 

O espetro dos “bancos maus” tem assombrado a economia e a sociedade portuguesa nos últimos 12 anos. A queda estrondosa do BPN em 2008 deu o tom para o que viria a ser uma sequência catastrófica, com impactos em todo o sistema bancário e, em especial, no BPP, no Banif e no BES. 

O vetusto Banco Espírito Santo (BES), joia da coroa do império financeiro controlado pela família que lhe dava o nome, foi objeto em 2014, sob patrocínio da Comissão Europeia, do Banco de Portugal e do Governo em funções, de uma operação experimental de elevado risco, consumada através da separação de ativos entre o Novo Banco, qualificado como banco bom, e o designado “banco mau”, que acomodou os ativos tóxicos. Todos conhecemos e, uns mais do que outros, todos sofremos negativamente com o resultado da experiência. A sua toxicidade contaminante tem apresentado e continua a apresentar à sociedade portuguesa pesadas faturas regulares.

Não obstante excelentes exemplos de boa gestão, solidez e reestruturação controlada de muitas das entidades bancárias a operar em Portugal, o sistema financeiro tem sido, nos últimos anos, mais vezes parte do problema do que instrumento de solução para as dificuldades estruturais e os choques externos que a nossa economia tem enfrentado.
É normal, por isso, que a aprovação, no dia 3 de agosto, pela Comissão Europeia da criação do Banco Português de Fomento, há muito aguardada, com um capital de 225 milhões de euros e sede no Porto, seja vista com alguma desconfiança por muitos portugueses. Mais um banco, mais um potencial problema? Não tem de ser assim e não pode ser assim. 

 Os bancos têm de ser eficazes, sólidos e bem integrados com o mercado que servem. Essa é a essência de um banco bom. É legitimo esperar que o Banco Português de Fomento ajude a promover um novo ciclo de credibilidade e contributo para o desenvolvimento do país por parte do nosso sistema financeiro. 

O sucesso deste desiderato depende da forma como for operacionalizada e gerida a nova entidade bancária, que tem, entre outras missões, também o desafio de marcar um ponto de viragem e exercer um papel consistente e muito positivo na canalização de recursos para a economia, em particular dos recursos do Plano de Recuperação. 

Uma ação complementar, mas determinante para reforçar a resiliência do tecido empresarial, apoiar a sua modernização, renovação e desenvolvimento e financiar novos projetos com elevado potencial competitivo, geradores de riqueza e criadores de emprego qualificado, suprindo falhas de mercado que têm sido evidentes na ação da banca tradicional e permitindo parcerias de implementação célere, com os institutos e agências que promovem a modernização e a inovação do tecido empresarial. 

Aberto este novo ciclo, e sem retirar importância à prioridade de colocar no terreno a nova entidade financiadora, vocacionada para o investimento e o desenvolvimento, é também tempo de conceber e criar em Portugal uma entidade que possa desempenhar as funções de banco de investimento e cooperação. As significativas verbas afetadas pelo quadro de financiamento de nova geração da União Europeia ao Instrumento para a Cooperação Internacional, Desenvolvimento e Vizinhança e a importância da cooperação para a afirmação geopolítica e geoeconómica do país assim o impõem.

Eurodeputado


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