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Reino Unido tem três países europeus na “lista segura” com mais casos do que Portugal

Reino Unido tem três países europeus na “lista segura” com mais casos do que Portugal

Dreamstime Marta F. Reis 06/08/2020 10:02

Ministro dos Negócios Estrangeiros disse na quarta-feira que Portugal vai enviar um relatório ao Governo britânico, depois de ter recebido critérios. Comparações europeias são publicadas diariamente pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e mostram que Bélgica, Malta e República Checa registam agora mais novos casos por 100 mil habitantes do que Portugal. E quarta-feira continuavam na lista segura do Reino Unido.

Portugal continua fora dos corredores turísticos do Reino Unido, mas nas duas últimas semanas registou menos casos por 100 mil habitantes do que pelo menos três países que fazem parte da lista segura das autoridades britânicas. A análise é publicada diariamente pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e quarta-feira era este o ponto de situação: à medida que os casos em Portugal baixaram, o país tem vindo a descer no ranking dos países com maior incidência nos últimos 14 dias, atualmente liderado por Luxemburgo e Espanha. E embora esteja ainda acima do patamar dos 20 casos por 100 mil habitantes, uma das referências nas comparações internacionais, Bélgica, Malta e República Checa, que até quarta-feira se mantinham nos corredores seguros do Reino Unido, surgem agora com piores indicadores. 

O i tentou perceber junto do Governo britânico os fatores tidos em conta para manter uns países e excluir outros, mas não teve resposta. Já a Embaixada Britânica, que em julho já tinha esclarecido que a decisão foi fundamentada tecnicamente e que são tidos em conta critérios como a taxa de incidência ajustada à população, taxa de mortalidade, testagem e análise dos serviços de informações, indicou ao i que neste momento não dispõe de mais informações. “O que sabemos é que o Governo britânico disse que haveria uma revisão formal dos conselhos aos viajantes e das restrições nas fronteiras, 28 dias após a ultima avaliação – que ocorreu a 24 de Julho. Isso significa que se espera a próxima avaliação formal até 21 de Agosto”, respondeu fonte oficial, adiantando que ao mesmo tempo se mantêm a avaliação constante por parte do Governo britânico, que se traduz em atualizações diárias na lista de restrições (a mais recente foi a retirada do Luxemburgo da lista de destinos dispensados de quarentena). “Todos esperamos que a situação da pandemia em Portugal continue a melhorar para que o governo britânico possa levantar as restrições que ainda estão em vigor o mais breve possível, assim que for seguro fazê-lo”.

Os critérios e patamares usados ao certo pelo Reino Unido continuam no entanto sem ser revelados publicamente. Espanha, por exemplo, foi retirada da lista de países “seguros” a 26 de julho, quando se aproximava dos 50 casos por cada 100 mil habitantes. Já quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros adiantou à Lusa que Portugal vai agora apresentar um relatório da situação epidemiológica ao Governo britânico depois de ter recebido resposta a um pedido apresentado na sequência da última decisão, a 24 julho, precisamente sobre o teor dos critérios britânicos, que Augusto Santos Silva não revelou. Assumiu no entanto que a resposta só chegou agora. “Nós tínhamos solicitado formalmente que o Reino Unido apresentasse o relatório sobre o qual diz basear a sua decisão e recebemos hoje resposta a esse pedido”, afirmou Santos Silva. “Espero que uma próxima revisão da parte das autoridades britânicas signifique finalmente o reconhecimento dos factos, porque, na minha opinião, não há nenhum facto em Portugal que justifique que passageiros oriundos de Portugal sejam sujeitos a quarentena em Inglaterra”, afirmou. E apesar de a próxima reavaliação ser então a 21 de agosto, Augusto Santos Silva ainda parece acreditar numa mudança mais cedo. “O que as autoridades britânicas têm dito é que procedem regularmente a essa revisão, mas que a qualquer momento podem fazer isso”, o que “é verdade já que impuseram quarentena a Espanha dois dias depois de terem publicado a nova lista”, lembrou.

Questionado pelo i sobre o facto de neste momento a lista de países seguros do Reino Unido ter países com maior incidência de casos do que Portugal e se serão tomadas medidas adicionais, dado o impacto no turismo e na vida dos imigrantes – que lançaram uma petição a pedir pelo menos uma exceção para que trabalhadores no Reino Unido pudessem viajar para estar com as famílias sem serem penalizados no regresso ao trabalho – o MNE remeteu para as declarações do ministro Augusto Santos Silva à Lusa. 

O protesto já não é só de quem está em Inglaterra e queria vir de férias para Portugal. Nos últimos dias, o jornal Portugal News, o jornal de referência da comunidade inglesa no país, sediado no Algarve, lançou uma petição dirigida ao Governo britânico que quarta-feira reunia quase 30 mil assinaturas. “Todos os anos, 2,5 milhões de pessoas nos visitam do Reino Unido, a maioria chega entre o final de julho e agosto e a decisão de excluir Portugal baseia-se, na nossa opinião, em informações falsas”, lê-se na petição, que classifica que a resposta portuguesa à epidemia de “soberba”, apresentando dados sobre a epidemia, nomeadamente no Algarve.

 

Inglaterra alerta viajantes para incêndios

Por enquanto, a página dedicada a Portugal no site do Governo inglês continua a desaconselhar viagens não essenciais para o país, conselho de que exclui apenas Madeira e Açores. A última atualização nada tem a ver com a covid-19, mas com o risco de incêndios florestais no verão, para a qual o país alerta os viajantes. Informa também da obrigatoriedade de uso de máscara na Madeira e de que Lisboa está em situação de alerta.

Entretanto a evolução da situação epidemiológica em Portugal levou quarta-feira a Galiza a levantar a obrigação de os portugueses que visitem a região deixarem informação sobre dados pessoais e contactos, mantendo restrições para pessoas provenientes da Catalunha e agora também de Madrid. O critério da Galiza foi tornado público: decidiram impor restrições a países e territórios cuja incidência acumulada de casos de Covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias seja 3,5 vezes superior à registada na comunidade autónoma. Comparando Portugal com o Reino Unido, a taxa de incidência de novos casos nas duas últimas semanas ajustada à população foi superior, mas não a mortalidade. Já em termos de testagem, o Reino Unido tem reportado cerca de 1400 testes semanais por 100 mil habitantes, mais do que os 900 feitos em Portugal. Mas neste aspeto Portugal é o sexto país da UE com mais testes, mais do que os que fazem países na lista segura dos ingleses, não só Bélgica ou Malta mas também França ou Itália.

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