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Globos de Ouro. Jornalistas que atribuem os prémios acusados de monopólio

Globos de Ouro. Jornalistas que atribuem os prémios acusados de monopólio

Dreamstime Mariana Madrinha 05/08/2020 22:34

Jornalista norueguesa processou a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood dizendo que agem como um grupo privado seguindo uma agenda própria de interesses.

Sabotam a entrada dos novos membros. Funcionam como um monopólio. Estão agarrados ao poder e aos luxos e regalias que os grandes estúdios cinematográficos lhes proporcionam. São pouco transparentes – não revelam de forma taxativa o currículo de todos os seus membros, nem tampouco os critérios de admissão. As acusações à Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), a associação de jornalistas responsável por organizar e distribuir anualmente os prémios dos Globos de Ouro, partiram também elas de uma jornalista, a norueguesa Kjersti Flaa. A jornalista, que já viu a sua candidatura a membro do júri ser rejeitada duas vezes, em 2018 e no ano passado, processou ontem a HFPA, tendo a queixa dado entrada num tribunal californiano, noticiou a agência France-Presse (AFP).

“Os candidatos qualificados para aderir à HFPA são quase sempre rejeitados, porque a maioria dos seus 87 membros não quer partilhar as enormes vantagens económicas de que desfrutam enquanto membros”, diz a queixa citada pela AFP. “Os estúdios, claro, não gostam de ter de gastar enormes somas para satisfazer os desejos de algumas dezenas de jornalistas envelhecidos que ressonam regularmente nas exibições, mas dada a importância dos Globos de Ouro, não veem como pôr fim a esta farsa”, acusa Kjersti Flaa, afirmando ainda que a associação “está tão focada em proteger sua posição de monopólio e benefícios de isenção de impostos que adotou disposições estatutárias que excluem da associação todos os candidatos qualificados e que objetivamente que possam competir com os membros existentes”.

Alavancada nestas razões, a jornalista norueguesa pede, assim, que o tribunal declare os estatutos da HFPA ilegais; além disso exige uma indemnização por danos económicos que alega ter sofrido no processo de candidatura e subsequente rejeição a membro da associação.

A HFPA reagiu algumas horas depois de o processo ter dado entrada no tribunal. “Embora ainda não tenhamos sido notificados desta queixa, a mesma parece consistente com as tentativas contínuas da senhora Flaa de abalar a HFPA, exigindo que a HFPA lhe pague e a admita imediatamente antes da conclusão do processo eleitoral anual aplicado usualmente qualquer outro candidato a HFPA”, disse a associação de jornalistas em comunicado, citado pela revista online Deadline. “A HFPA leva a sério as suas obrigações como organização e a sua dedicação ao jornalismo e filantropia estrangeiros, pelo que se defenderá vigorosamente contra estas alegações infundadas”, acrescentou o grupo de jornalistas presidido por Lorenzo Soria, um dos nomes diretamente visados no processo movido por Kjersti Flaa, que aponta ainda o dedo ao anterior presidente, Meher Tatna, e a outros membros hierarquicamente bem posicionados.

Nos últimos anos, a HFPA tem afirmado que procura membros mais jovens para integrar os seus quadros, mas além de não divulgar os critérios de acesso – por exemplo, há jornalistas membros que trabalham em regime freelance para publicações pouco conhecidas – a média de idades mantém-se bastante alta. Segundo a jornalista norueguesa, cinco membros têm mais de noventa anos, outros cinco andam na casa dos 80 e “numerosos” jornalistas têm cerca de 70 anos. “Apenas metade dos membros do HFPA é considerada verdadeiramente ‘ativa’; a metade restante faz o mínimo necessário para manter seu status ‘ativo’ ou fica aliviada por ter apenas que respeitar os requisitos mínimos”, acusou ainda.

 

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