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Deixem os Discos Girar #15. sem palavras | cem palavras do Homem em Catarse

Deixem os Discos Girar #15. sem palavras | cem palavras do Homem em Catarse

Hugo Geada 05/08/2020 20:02

Apesar das novas ferramentas e influências no seu terceiro álbum, Homem em Catarse continua a embalar os ouvintes com a sua música instrumental emocional e emocionante.

O projeto a solo de Afonso Dorido, Homem em Catarse, tem nos habituado ao longo dos seus discos, Guarda-Rios (2015) e Viagem Interior (2017), a belos momentos contemplativos garantidos pelas belas melodias e ritmos da sua guitarra.

Em sem palavras | cem palavras, disco que editou este ano, em janeiro, o músico, mostra que existem mais possibilidades para expandir o seu vocabulário musical e surpreender os seus fãs.

Munido de sintetizadores, pianos, teclados e com influências de bandas shoegaze como My Bloody Valentine ou Yo La Tengo, Homem em Catarse leva o seu som a novos espectros sónicos e emocionais, sem nunca perder a identidade que carateriza o seu trabalho.

Tu eras apenas uma pequena folha
Foi o primeiro tema composto ao piano e nasceu intrinsecamente ligado ao poema que deu origem ao disco. Para mim começar a escrever ao piano foi como que poesia. Por fim e porque o título teria também de reflectir isso, decidi procura-lo obra poética de Neruda. Encontrei aqui que procurava e tinha de sem dúvida de abrir o disco.

Hey Vini!
Durante muitos anos, falaram-me de como a guitarra de Homem em Catarse trazia a nostalgia dos discos de Durutti Column e especificamente o som do Vini Reilly.
Perante tantas referências, foi inevitável procurar finalmente a sua obra. Sem dúvida que sentia algo familiar mesmo que nunca tivesse ouvido até à data. Tornou-se portanto uma referência que senti quando da composição deste tema. Soa a Vini Reilly? O título do tema responde.

Hotel Saturnyo
A ideia de velocidade e de riffs com delay sempre me aliciou desde pré-produção do disco, neste tema. Depois o co-produtor do disco, o Pedro Sousa avisou-me que este tema nunca poderia ficar de fora e que lhe lembrava uma intensidade cósmica e planante. Foi com muito entusiasmo que gravamos o tema e que o sentimos crescer à medida que era gravado.

Lembro-me de ti mesmo quando não me lembro
É um tema que já tinha sido tocado várias vezes ao vivo mesmo antes de ser gravado. A procura era que se captasse "aquele take" imaculado. Incrivelmente foi à primeira. Nem sequer se voltou a tentar gravar mais nenhum take. A catarse estava ali toda e não havia que mexer em nada.

Marie Bonheur
Estar no sótão de uma casa fechado com um produtor durante duas semanas foi muito importante para perceber bem o que se queria e o que não se queria. Descobriu-se que este tema poderia ser mais profundo com adição de cordas. E assim foi;  A Graça Carvalho orquestrou e tocou violino e a Margarida Pinto violoncelo. No final e depois da masterização do Paulo Mouta Pereira, chegou-se finalmente ao que se idealizava, ou pelo menos chegou-se muito próximo. Nunca considero uma obra como fechada, sobretudo quando depois a levo para palco.

Calle del Amor
Este tema sempre me colocou questões. Equacionei várias vezes antes de o colocar no disco e especificamente o local onde faria sentido. O take escolhido não foi o que tecnicamente seria melhor, mas sim aquele que foi interpretado com mais emoção. Após a escolha do local para o tema no disco, sinto que não havia qualquer motivo para equacionar nada, visto fazer uma ligação com todo o trabalho e fazer muito sentido no epicentro do mesmo.

Yo La Tengo
De uma brincadeira no sintetizador havia de nascer um tema onde explorei bastante novos caminhos e no qual sempre vi (pelo menos eu) um riff de guitarra que me fazia lembrar um tema do álbum Fade dos Yo La Tengo. Daí e mesmo depois da colocação de vozes etéreas o título do tema estava escolhido e acabou mesmo por ser o primeiro avanço do sem palavras | cem palavras.

Danças Marcianas
É o outro tema que já tinha sido apresentado ao vivo várias vezes antes de ser gravado. Queria que o disco também tivesse um lado "upbeat" e este tema tinha sido sempre muito bem recebido ao vivo, criando mesmo polémica (inesperadamente) num concerto no Verão em 2018. Foi um dos temas mais trabalhados em estúdio propositadamente mas sem que perdesse a urgência que lhe estava associado.

Mar Adentro
Sem dúvida alguma o tema mais electrónico que alguma vez concebi. Cresceu muito na experimentação em estúdio e foi composto com vista para o mar. A procura, a derivação e a abertura total ao sintetizador foram essenciais para criar a identidade que este tema apresenta. A busca por algo experimental mas que se conseguisse ligar ao lado emocional do disco foi o ponto de partida e chegada para tudo.

Casa dos pequenos pássaros 
O disco começava com piano, respirava a meio com piano... e teria de terminar ao piano. E desde sempre soube que este tema seria o que fechava o disco. Pela nostalgia que lhe identifico, pelas imagens pessoais que sempre me trouxe. Também foi daqueles do... primeiro take. É um tema com teclas planantes, minimais mas denso como se quer, numa despedida.

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