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Austrália. Vitória entra em estado de calamidade

Austrália. Vitória entra em estado de calamidade

AFP João Campos Rodrigues 03/08/2020 11:31

Melbourne está sob recolher obrigatório, entre as oito da noite e as cinco da manhã, com medidas duras para tentar conter um surto brutal. 

 

Depois de ter a pandemia de covid-19 sob controlo durante meses, a Austrália descambou com um brutal surto em Melbourne. Só este domingo foram registados 671 novos casos no estado de Vitória, onde fica a cidade – no resto do país registaram-se apenas 16. Não são noticias animadoras, sobretudo vindas de um país que foi descrito pela diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, como um país observado com atenção, um modelo do que pode acontecer em Portugal. Face ao desastre, as autoridades australianas responderam com medidas fortes, declarando estado de calamidade em Vitória.
Por todo o estado, bares, restaurantes, cafés e ginásios terão de fechar a partir de quarta-feira. Já em Melbourne, em particular, foi imposto um recolher obrigatório entre as oito da noite e as cinco da manhã, aplicado com patrulhas da polícia com autorização para questionar os cidadãos, que entrou em vigor este domingo à noite.

Subitamente, as animadas ruas de Melbourne ficaram vazias, quase uma cidade fantasma. “Se imaginarem toda a cidade de Melbourne como um paciente com covid-19, então agora foi posta nos cuidados intensivos”, lê-se no Sydney Morning Herald. De facto, as medidas são duras. Durante o recolher obrigatório, apenas se pode sair à rua por motivos médicos, de trabalho, ou para prestação de cuidados. Não se pode fazer exercício físico a mais de 5 km de casa e apenas uma pessoa por agregado familiar pode ir às compras. Todos os estudantes estão de volta ao ensino à distância e as creches foram fechadas. 

Remediar É difícil perceber como Melbourne chegou a este ponto, num país que desfruta de um isolamento geográfico que podia ter desacelerado o alastrar da covid-19: a vizinha Nova Zelândia, também isolada, já praticamente se livrou do vírus.

Para John Mathews, epidemiologista da Universidade de Melbourne, o problema foram “quebras na gestão governamental (por exemplo, medidas de quarentena inadequadas na chegada de passageiros internacionais) e do relaxamento das medidas de isolamento social”, explicou há umas semanas ao SOL.

Inicialmente, a abordagem caso a caso, que pretende detetar cadeias de transmissão e quebrá-las, parecia estar a funcionar na Austrália. Mas é uma abordagem que começa ser menos eficaz quando o surto sai de controlo e há mais fontes possíveis de infeção: em Melbourne já há 760 infeções de origem desconhecida, admitiram este domingo as autoridades.
A partir desse ponto “já não podes ter confiança de que tens um conhecimento preciso de quanto vírus anda aí”, lamentou o chefe de Executivo de Vitória, Daniel Andrews. Então, passam a ser necessárias medidas a larga escala como o confinamento – na esperança que a abordagem caso a caso, menos danosa para a economia, volte a funcionar adequadamente.

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