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Programas desportivos. Incitam à violência? "Sem dúvida"

Programas desportivos. Incitam à violência? "Sem dúvida"

DR Daniela Soares Ferreira 29/07/2020 10:07

A SIC e a TVI vão acabar com quatro programas desportivos no total – a estação de Paço de Arcos justificou a decisão com o “ambiente de toxidade” gerado em torno dos comentadores. O diretor executivo do IPAM não tem dúvidas de que os formatos incitam à violência e Rui Cádima, professor de Ciências da Comunicação na Nova, defende mais tempo para outros assuntos cruciais.

O anúncio apanhou muitos amantes de futebol de surpresa: a SIC e a TVI vão deixar de emitir os habituais programas desportivos, alguns com mais de uma década de existência. O primeiro passo foi dado pela estação do grupo Impresa com o final dos programas Play Off e Dia Seguinte, que terminam já na próxima semana. “Vamos ter um modelo diferente à segunda-feira e outro ao domingo, ainda estamos a reorganizar as grelhas”, disse Ricardo Costa, diretor de informação da Impresa, à Lusa.

A justificação é simples: “A pandemia podia ter ajudado a que os agentes do futebol percebessem bem a situação em que o futebol, como toda a sociedade, se encontra, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Ou seja, o regresso do futebol voltou ainda pior do que estava antes em termos de guerra entre os clubes”, disse ainda o responsável. Mas as críticas foram mais longe: “Esse ambiente de toxicidade que se foi criando à volta deste tipo de programas, e para o qual contribuem muito os próprios clubes e as suas máquinas de comunicação, coloca-nos perante uma situação de que chegou a altura de terminar este tipo de programas na SIC Notícias”, avançou ainda Ricardo Costa.

Não muito tempo depois, foi a vez de a TVI24 anunciar a mesma medida: os programas Livre Direto e Prolongamento vão chegar ao fim.

Daniel Sá, diretor executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), não tem dúvidas que esta é uma decisão “muito corajosa” por parte dos canais televisivos, lembrando que “o futebol é responsabilidade de todos os stakelhoders: Federação, Liga, clubes, atletas, treinadores, árbitros, patrocinadores, adeptos e meios de comunicação social, pelo que todos devem contribuir para um espírito positivo à volta da modalidade”. No entanto, defende que a medida não vai acabar com a toxicidade apesar de ser “seguramente um enorme contributo simbólico nesse sentido”.

Questionado sobre se as televisões não poderão perder audiências com o fim dos formatos, Daniel Sá acredita que aconteça numa primeira fase mas que a médio prazo será possível “recuperar através dos novos formatos”. “Os adeptos, apesar das audiências, estão cansados deste tipo de abordagem que só destrói o futebol português”, diz ao i, lembrando um estudo realizado pelo IPAM em 2019, “O produto futebol nos media em Portugal”.

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