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Marta F. Reis 29/07/2020
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@ionline.pt

Não há milagres em Lisboa

O trabalho que foi feito, nas últimas semanas, nos municípios mais afetados da Área Metropolitana de Lisboa nada teve a ver com o que acontecia até aqui. Começou tarde, mas começou. 

As Nações Unidas alertaram esta terça-feira para o papel de políticas inclusivas e sustentáveis nas cidades para travar a pandemia e garantir resposta às populações mais vulneráveis, e como é importante que a aprendizagem fique para o futuro pós-pandémico. No relatório internacional figuram várias cidades portuguesas na lista dos bons exemplos de medidas, de tarifas reduzidas na água ao apoio no pagamento de rendas. Estão lá metrópoles de outros países e cidades mais pequenas, mas não deixa de ser relevante que um país pequeno, que não tem sido hábil a convencer os pares europeus de que não é menos seguro que outros, seja reconhecido pelo esforço que fez no combate à pandemia na vertente social, que está agora a dar os seus frutos. O alerta chega numa altura em que a Grande Lisboa regista o menor número de casos diários de covid-19 desde abril. Talvez os raios UV tenham ajudado, mas não há milagres: o trabalho que foi feito, nas últimas semanas, nos municípios mais afetados da Área Metropolitana de Lisboa nada teve a ver com o que acontecia até aqui. Começou tarde, mas começou. 

As equipas multidisciplinares que foram criadas e permitiram sinalizar no terreno necessidades alimentares e financeiras, e casas onde dificilmente se mantém o isolamento, têm feito um trabalho contínuo que merece ser reconhecido, porque é exigente e comporta riscos. No dia em que as acompanhei torravam debaixo dos fatos de proteção.

Este modelo pode ser aproveitado para uma mudança de paradigma na resposta do Estado a ameaças que vão sempre cair com mais força sobre os mais pobres, os mais velhos e os mais excluídos. Não é só o desafio da covid-19 que pede soluções inovadoras: todos os invernos, Portugal é dos países europeus onde o frio mais mata. Nas ondas de calor, como a que o país atravessou este mês, quantos idosos vulneráveis poderiam beneficiar das visitas de equipas que lhes levassem apoio? Atacar os problemas da precariedade da habitação e os elevados custos energéticos tem de ser um esforço contínuo, com responsáveis, orçamento e menos voluntarismo. Enquanto a pandemia parece dar, por cá, alguma trégua, os desafios mantêm-se. É preciso planear um inverno em que, além das necessidades de recursos de saúde, tudo isso estará de novo em causa, como está todos os anos.

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