31/10/20
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 29/07/2020
Eduardo Oliveira E Silva

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António Costa: boca de rico e algibeira de pobre

Falar muito e fazer pouco é uma estratégia que cansa e é gato escondido com rabo de fora. Mas também não pode ser um badameco de um holandês a dar-nos lições.

1. Por muito que se proclame que vem aí uma pipa de massa, a verdade é que a Europa dos supostos frugais está a limitar a utilização dos fundos a um controlo rigoroso e a uma execução num tempo-limite.

Dito de outro modo, tenta evitar a repetição em Portugal e noutros países, como a Grécia, a Espanha, a Itália e, curiosamente, a Bélgica, da indecência de certas utilizações em áreas que não serviram para nada, como infraestruturas inúteis ou sobrepostas e formações que disfarçaram o desemprego, permitindo a certos grupos criar teias criminosas, muitas das quais nunca responderam pelos seus atos. Na agricultura ficaram célebres os jipes que alguns, jocosamente, diziam ser modelo IFADAP.

É caso para dizer que Europa prevenida vale por duas. Talvez não tenhamos uma troika formal, mas haverá certamente um escrutínio rigoroso dos projetos, o que pode inclusivamente levar a que a pachorrenta burocracia portuguesa não possibilite sequer a utilização dos 45 mil milhões de euros disponibilizados (15 mil milhões a fundo perdido e 29 mil milhões em subsídios), o que, na perspetiva de certos Estados, será sempre uma poupança. Mal de nós. Mas antes falhar uma verba do que gastar mal o que nos é dado, manchando a honorabilidade de todo um povo. Claro que não pode ser um badameco de um holandês, um país que é uma sucursal da Alemanha e um centro de fuga de capitais, de promiscuidade social e de exploração de emigrantes, a dar-nos lições. O rigor tem de ser uma forma que temos de nos autoimpor, para não sermos apontados a dedo. Um dia, as posturas morais éticas hão de sobrepor-se ao vil metal.

Entretanto, por cá segue o regabofe verbal do Governo. Não há dia em que não se anunciem milhões para isto e milhares para aquilo. A torrente de megafónica não para. Vai-se ver e nada. Há milhares de empresas que aguardam apoios. Os serviços estão em rutura em todas as áreas, ao ponto de, na saúde, pura e simplesmente existirem áreas inativas, o que é inaceitável. A estratégia de Costa é de gato escondido que acaba sempre por ser descoberto, por causa do rabo de fora. Há sempre alguém que a certa altura se farta e aponta a realidade.

António Costa e o PS estão a governar por anúncio e o mais grave é que há uma constante aceitação por parte do amplo arco de concordância que já se estende do Bloco ao PSD, passando por PCP, Verdes e PAN – tudo numa conjuntura em que o PIB pode chegar a mais de 10%, sobretudo devido à manutenção da quebra do turismo nas suas diversas vertentes, uma atividade que foi, na prática , o que nos tirou da fossa em termos de negócio, mas sobretudo de emprego. Quem disser o contrário não conhece a economia portuguesa. Há outros exemplos positivos de exportações, alguns na indústria e na agricultura, mas não pesam o que alguns proclamam.

2. Sem qualquer razão objetiva e procedendo de forma totalmente diferente dos países da União Europeia, Portugal tem mantido a interdição de voos das companhias Qatar, Emirates e Turkish, precisamente aquelas que, para além de servirem um mercado de emigrantes e imigrantes, mais gente de negócios, investidores e turistas ricos trazem até nós. É uma completa e total demonstração de incompetência que nem sequer impede a chegada de passageiros transportados por aquelas companhias, visto que os seus aviões nunca deixaram de aterrar nos principais aeroportos da Europa. É mais uma trapalhada do Governo, no caso facultada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que fala grosso cá dentro para defender o PS e fininho lá fora. O problema é que as companhias afetadas e citadas podem um destes dias fechar as portas em Portugal, o que arrastaria centenas de pessoas para o desemprego e inviabilizaria durante anos um regresso aos nossos aeroportos, com óbvia e substancial perda económica. Governo, oposição e todas as autoridades políticas e sanitárias estão a par do facto e nada fazem. Se se chega do Brasil e da América diretamente, porque não do Oriente através de companhias de alta qualidade que têm o risco zero como referência e a excelência como padrão? Alguém explica?

3. Seis mil hectares destruídos num fim de semana na zona de Oleiros: é o balanço material de um incêndio gigantesco que devastou um imenso território, repetindo exatamente o que já tinha acontecido da mesma maneira há 17 anos. Um jovem bombeiro de 21 anos morreu. Outros cinco ficaram feridos. Ouviram-se os lamentos das populações aterrorizadas. Normalmente, é gente de idade, agarrada à terra, que ciclicamente tudo perde. Ouviram-se também os ministros da Administração Interna, do Ambiente, o chefe do Executivo e o próprio Presidente Marcelo a lamentar o sucedido. Nada muda de ano para ano. Até as mensagens de pesar são estereotipadas. Uma tristeza! É o que temos e continuaremos a ter.

Escreve à quarta-feira

 

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