12/8/20
 
 
Afonso de Melo 28/07/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

O suicídio das moscas

 A cada quilómetro, o azul do céu é mais ansioso. 

Há alturas em que o sol parece um ferro de engomar. A pele estala e abre brechas, o vento é quente como me lembro daquele que soprava do lado direito em labaredas enquanto percorria os corredores da cidade-fantasma de Abu Samrah, entre Abu Dhabi e Al Ain. A luz vem e volta em reflexo no ferro azul do capô do Anglia, que percorre devagar o seu caminho por entre sobreiros e pinheiros-mansos, a sede seca-me a garganta, as cegonhas não têm energia suficiente para abandonar os ninhos dependurados nos postes de eletricidade. A cada quilómetro, o azul do céu é mais ansioso. Papoilas explodem de vermelho por entre o amarelo dos pimpilhos como se fossem as últimas flores do Lácio. 

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