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A próxima pandemia. Como a humanidade está a acelerar o inevitável

A próxima pandemia. Como a humanidade está a acelerar o inevitável

João Campos Rodrigues 12/07/2020 18:21

Algures, um animal está infetado com uma doença que nunca enfrentámos. Talvez o passe a um porco, que por sua vez nos contagia. O risco, já se sabe, é que cause uma pandemia. E também está cada vez mais claro que estamos acelerar este processo: o b,i. falou com cientistas para saber o que se passa e como o podemos evitar.

 

Há acasos que mudam a história, e o transbordar de doenças de animais para humanos é um deles. Muitas vezes, nem nunca chegamos a saber que aconteceu. Noutras, há um pequeno surto, localizado, que fica por aí. Raramente, surge uma pandemia como a atual, ou flagelos que atormentam gerações, como o HIV. Estes eventos são muito mais frequentes do que pensamos: estima-se que ocorram entre duas a seis vezes por ano. Tornaram-se cada vez mais recorrentes no último século e a culpa é nossa: o aumento desflorestação, o tráfico de animais selvagens, o aquecimento global, a produção massiva de gado e o crescimento de metrópoles só nos deixam mais expostos a doenças transmitidas por animais.

«Estamos a mudar como fazemos negócios com a biosfera, com o resto da vida na terra, e a natureza está a tentar dizer-nos algo quanto a isso», considera Aaron Bernstein, diretor do Centro para o Clima, Saúde e Ambiente Global, da faculdade de Saúde Pública T.H Chan, da Universidade de Harvard, ao b,i..«Tivemos alguns tiros de aviso. Tivemos o HIV, o ébola, a covid-19, e muitas outras doenças, que causaram imenso sofrimento humano e custos económicos. Não há nada escrito que diga que este vírus é o pior que poderemos ver».

Aliás, nas últimas semanas, voltámos a ver o antigo flagelo da yersinia pestis, a bactéria que causa a peste bubónica, também conhecida como a peste negra, tendo alguns casos sido relacionados com a caça à marmota na Mongólia. À primeira vista, parece assustador, tratando-se de uma doença que exterminou um terço da população europeia entre 1347 e 1351. Mas não é assim tanto: já não vivemos na Idade Média, a yersinia pestis é relativamente fácil de tratar e apenas é transmitida pelas pulgas que vivem roedores - as condições para isso acontecer em massa não são assim tão frequentes, exceto em algumas regiões em Madagáscar, RD Congo ou Peru.

Potencialmente bem mais perigosas podem ser as doenças transmitidas por via aérea, como uma nova estirpe de gripe, como a encontrada este mês por investigadores chineses: chamaram-lhe G4 e descreveram-na como tendo potencial pandémico. O vírus não parece reagir aos anticorpos criados pela exposição às gripes sazonais, e desde 2013 já tinha infetado 10% dos trabalhadores de suiniculturas testados - por sorte, por agora, não parece ter desenvolvido a capacidade de ser transmitida entre humanos.

«Pense em termos de uma fechadura e de uma chave. Para um patogeno infetar uma célula humana, precisa de abrir a porta. A covid-19 parece ter uma chave muito boa. Noutros casos, a chave não é tão boa e fá-lo de uma maneira muito ineficaz - conseguir nuns indivíduos, e não outros, pode estar relacionado com genética, grupo sanguíneo, etc», explica ao b,i. Eric Fèvre, professor de Doenças Infecciosas Veterinárias da Universidade de Liverpool.

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