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Mercados já suspiram de alívio com novas escolhas

Mercados já suspiram de alívio com novas escolhas

Sónia Peres Pinto 12/07/2020 11:30

Se no dia em que as ações foram suspensas as quedas foram grandes, agora, com os novos gestores interinos, os títulos voltaram a recuperar.

A escolha dos novos gestores da EDP e da EDP Renováveis por soluções internas parece ter acalmado os mercados. Pelo menos, é esta a garantia dos analistas contactados pelo SOL. Se no início da semana chegaram a admitir que os novos desenvolvimentos no caso da elétrica poderiam colocar em causa a execução do plano estratégico da empresa, agora acreditam que, com os novos gestores interinos, «não irão existir impactos nem mudanças na estratégia da empresa». E vão mais longe: «Os impactos para a empresa a nível de coimas/multas no grupo EDP não irão existir na primeira instância, e a substituição dos dois membros por gestores ‘da casa’ levou o mercado a renovar a confiança, na qual as ações estão estáveis novamente».

Os títulos das duas empresas voltaram a negociar na terça-feira – depois de terem sido suspendidos pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por estarem a aguardar a divulgação de informação relevante ao mercado – as ações voltaram ao preço normal. «Este tipo de suspensão de negociação visa o acalmar do sentimento negativo existente por especulações ainda não fundadas. Este, em particular, teve como objetivo suspender a negociação até saber as condições consequentes da suspensão dos dois membros importantes no grupo», refere ao SOL o analista da Infinox.

Também o analista da XTB lembra que as suspeitas de corrupção que recaíram sobre António Mexia, com o seu subsequente afastamento, num primeiro momento, levou à queda do valor da EDP em bolsa de 5%. «Mas a essa queda seguiu-se uma recuperação da qual os investidores parecem mostrar-se agradecidos pelo afastamento do ex-presidente do conselho de administração executivo da EDP», afirma.

Feitas as contas, as ações da EDP tiveram variação nula devido a este caso polémico esta semana. Por outro lado, a EDP Renováveis bate novos máximos diários novamente, numa altura em que o mercado de ações tem uma ligeira correção geral. «Esta semana, as ações da EDP e da EDPR aponta para um fecho positivo de, pelo menos, 1% e 6%, respetivamente. Por detrás deste otimismo estão os nomes dos dois novos CEO interinos, Miguel Stilwell de Andrade, na EDP, e Rui Teixeira, na EDP Renováveis. Os investidores parecem convictos de que a mudança foi para melhor», acrescenta.

Exemplo disso, é a nota de research positiva, com o banco de investimento internacional Berenberg a recomendar aos clientes a compra de ações da EDP e também da EDPR.

O que é certo é que estas mudanças acabaram por anular as quedas que se verificaram no arranque da semana. As ações da EDP perderam 2,53% para os 4,34 euros, enquanto os títulos da EDP renováveis caíram 1,40% para os 12,64 euros por ação. Uma situação que não surpreendeu os analistas. «Inicialmente teve impactos altamente negativos, já que António Mexia e Manso Neto são gestores reconhecidos mundialmente pelas suas qualidades e, neste momento, o mercado começa a reconhecer a saída destes dois gestores à frente da EDP/EDPR», referem.

Para já, parecem ter sido ultrapassado os danos. «O impacto nas ações poderia ser catastrófico e afetar toda a bolsa nacional». A explicação é simples: a gestão nos últimos anos tornou a ação da EDP bastante apetecível pela sua capacidade de inovação e rentabilidade em dividendos. «Este caso poderia afetar a confiança dos investidores no grupo EDP e manchar a reputação da empresa, uma vez que a EDP é uma das ações portuguesas com mais visibilidade a nível internacional».

 

Mudanças internas

Miguel Stilwell de Andrade ocupava até aqui o cargo de chief financial officer (CFO) da EDP. Formado em engenharia mecânica na escocesa University of Strathclyde com um MBA no norte-americano MIT começou a carreira no banco de investimento UBS, em Londres, mas está há 20 anos na EDP.

Mas só em abril de 2018 é que assumiu a liderança do pelouro financeiro da elétrica, onde teve de lidar com oferta pública de aquisição (OPA) falhada pela China Three Gorges, a maior acionista da empresa. No entanto, depois do negócio fracassado acabou por delinear um plano estratégico de reconversão do negócio através da aposta nas renováveis. Uma aposta que está bem presente no plano estratégico da EDP para 2019-2022 e que assenta não só no investimento na energia renovável como também na venda de ativos, plano esse que foi apresentado por António Mexia.

Cabe agora a Miguel Stilwell de Andrade dar seguimento a esse plano e superar o papel do gestor suspenso que tem um poder nato de comunicação e que estava na liderança da EDP desde 2006. António Mexia, antes de assumir essa função, já tinha um longo curriculum. Licenciado em Economia pela Universidade de Genève chegou a ser membro do conselho de administração do BCP, mas antes já tinha tido uma breve passagem pela Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações no Governo de Santana Lopes. Foi também adjunto do secretário de Estado do Comércio Externo entre 1986 e 1988 antes de chegar a presidente executivo da Galp Energia, cargo que exerceu até 2004.

Já a nova liderança da EDP Renováveis cabe a Rui Teixeira. Também aqui o desafio é grande. João Manso Neto agora afastado ocupava o cargo de presidente executivo da EDP Renováveis desde 2006. Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, com uma pós graduação em Economia Europeia pela Universidade Católica Portuguesa, já estava na empresa desde 2003. Antes disso, entre 2002 e 2003, foi administrador no Grupo Banco Comercial Português de Negócios. Desde 1995 e até 2002 foi diretor geral da direção financeira do BCP e vice-presidente do BIG Bank Gdansk na Polónia.

 

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