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Índia quer vacina até 15 de agosto

Índia quer vacina até 15 de agosto

AFP Hugo Geada 11/07/2020 13:19

A Índia, terceiro país com mais pessoas infetadas com covid-19 do mundo, quer ter uma vacina contra covid-19 pronta até 15 de agosto. Especialistas de saúde criticam decisão.

O diretor-geral do Conselho Indiano de Pesquisa Médica, Balram Bhargava, revelou que o Governo indiano espera que até dia 15 de agosto esteja pronta uma vacina contra a covid-19. «Prevê-se o lançamento da vacina para uso público até dia 15 de agosto de 2020, após a conclusão de todos os ensaios clínicos», escreveu Bhargava, pedindo aos hospitais para prepararem todas as aprovações necessárias para a vacina e para estarem prontos para inscrever os participantes «o mais tardar até 7 de julho».

No total, seis empresas indianas estão a desenvolver vacinas para a covid-19 e, na semana passada, o Governo da Índia deu a duas delas, a Bharat Biotech e a Zydus Cadila, permissão para iniciarem ensaios clínicos em humanos com as vacinas mais avançadas.

No entanto, esta data foi considerada absurda por parte da comunidade científica, que considera impensável que os testes possam mostrar-se eficazes e seguros em menos de dois meses.

«Nunca foi feito um caminho tão rápido para o desenvolvimento de nenhum tipo de vacina», disse Anant Bhan, investigador e ex-presidente da Associação Internacional de Bioética, apoiado pelo virologista indiano Thekkekara Jacob John: «Os ensaios clínicos não podem ser apressados», disse, explicando que os ensaios das fases I e II duram pelo menos cinco meses.

Mas estas não as únicas vacinas a serem desenvolvidas. Algumas das mais promissoras são a da farmacêutica norte-americana Pfizer e a da sociedade alemã BioNTech, que estão a desenvolver em conjunto a vacina BNT162b1; a da empresa de biotecnologia dos Estados Unidos Moderna; o projeto entre a Universidade de Oxford e o laboratório a AstraZeneca ou ainda vários projetos chineses. Nestes últimos, contam-se, por exemplo, a CanSinoBIO, que já teve autorização para administrar a vacina em militares chineses.

 

Novo epicentro?

Entre quinta e sexta-feira, na Índia, foram registados, segundo fontes oficiais, 475 mortes por covid-19 e 26.506 mil novas infeções. Este número de novos casos representa um recorde diário para o país.

Desde que o Governo indiano aliviou as restrições e à medida que os testes aumentaram para mais de 200 mil amostras por dia, o número de infeções disparou, em comparação com apenas algumas centenas por dia em março.

Esta subida no número de casos levou alguns estados a impor um novo confinamento para tentar travar a progressão da doença. O estado de Bihar impôs ontem um novo confinamento total na capital, Patna, e em mais quatro distritos, durante uma semana.

O estado mais populoso da Índia, Uttar Pradesh, com quase 230 milhões de habitantes, anunciou ontem o confinamento durante o fim de semana. Todas as lojas permanecerão fechadas, exceto farmácias e supermercados ou estabelecimentos de venda de produtos alimentares.

As infeções neste país cresceram lentamente. Contudo, seis meses depois de ter sido detetado o primeiro caso, a Índia tornou-se o terceiro país com mais casos de coronavírus, depois de Estados Unidos e Brasil, e os especialistas preocupam-se que este país, o segundo mais populoso do mundo, com quase 1,4 mil milhões de pessoas, possa tornar-se o novo grande foco mundial da doença.

Um artigo de Aparna Alluri e Shadab Nazmi, jornalistas da BBC em Deli, revelou que não se sabe a verdadeira extensão da propagação do vírus na Índia. Apesar de o país apresentar um elevado número total de casos, os casos per capita são relativamente diminutos. Contudo, isso deve-se ao facto de, segundo especialistas de saúde, a Índia não estar a fazer testes suficientes.

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