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Coronavírus. O estranho caso da Índia

Coronavírus. O estranho caso da Índia

AFP Hugo Geada 10/07/2020 10:11

Apesar de ser o terceiro país com mais infetados em todo o mundo, especialistas de saúde dizem que, dados os poucos testes efetuados, o número pode ser ainda maior.

Entre quarta e quinta-feira, na Índia, foram registados, segundo fontes oficiais, 487 mortes por covid-19 e quase 25 mil novas infeções. Este número de novos casos representa um recorde diário para o país.

Desde que o Governo indiano aliviou as restrições e à medida que os testes aumentaram para mais de 200 mil amostras por dia, o número de infeções disparou, em comparação com apenas algumas centenas por dia em março.

As infeções neste país cresceram lentamente. Contudo, seis meses depois de ter sido detetado o primeiro caso, a Índia tornou-se o terceiro país com mais casos de coronavírus, depois de Estados Unidos e Brasil, e os especialistas preocupam-se que este país, o segundo mais populoso do mundo, com quase 1,4 mil milhões de pessoas, possa tornar-se o novo grande foco mundial da doença.

Um artigo de Aparna Alluri e Shadab Nazmi, jornalistas da BBC em Deli, apontam para diversos fatores que justificam este argumento, sendo um dos mais assustadores o facto de não se saber a verdadeira extensão da propagação do vírus na Índia.

Apesar de o país apresentar um elevado número total de casos, em termos de casos per capita são relativamente diminutos. Contudo, isso deve-se ao facto de, segundo especialistas de saúde, a Índia não estar a fazer testes suficientes.

Uma das razões para o número limitado de testes, segundo Himanshu Tyagi e Aditya Gopalan, dois matemáticos especialistas em criar estratégias para testar a covid-19, foi o facto de a Índia ter adotado um sistema de “testar e monitorizar”, o que limitou os testes a pacientes de risco e às pessoas com quem estão em contacto.

Além de este método ter limitado o número de testes na população, também se revelou ineficaz quando a doença começou a espalhar-se, uma vez que se limita a conter as infeções, mas não se preocupa em descobrir casos novos.

A vacina indiana No total, seis empresas indianas estão a desenvolver vacinas para a covid-19 e, na semana passada, o Governo da Índia deu a duas delas, Bharat Biotech e Zydus Cadila, permissão para iniciarem ensaios clínicos em humanos das vacinas mais avançadas.

No entanto, a velocidade deste processo está a levantar críticas entre os cientistas do país.

O diretor-geral do Conselho Indiano de Pesquisa Médica, Balram Bhargava, revelou a data aos hospitais que vão ser envolvidos nos testes. “Prevê-se o lançamento da vacina para uso público até dia 15 de agosto de 2020, após a conclusão de todos os ensaios clínicos”, escreveu Bhargava, pedindo aos hospitais para prepararem todas as aprovações necessárias para a vacina e para estarem prontos para inscrever os participantes “o mais tardar até 7 de julho”.

Esta data foi considerada absurda por parte da comunidade científica, que considera impensável que os testes possam mostrar-se eficazes e seguros em menos de dois meses.

“Nunca foi feito um caminho tão rápido para o desenvolvimento de nenhum tipo de vacina”, disse Anant Bhan, investigador e ex-presidente da Associação Internacional de Bioética, apoiado pelo virologista indiano Thekkekara Jacob John: “Os ensaios clínicos não podem ser apressados”, disse, explicando que os ensaios das fases i e ii duram pelo menos cinco meses.

Desde o início da pandemia na Índia, no total, já morreram 21 129 pessoas e foram diagnosticados 767 296 casos.

 

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