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José Paulo do Carmo 10/07/2020
José Paulo do Carmo

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E as noites do Algarve no verão?

Aproximamo-nos a passos largos da segunda quinzena de julho, o que, para o Algarve, se tudo estivesse dentro da normalidade, representaria a entrada na época mais forte do ano – aquela que representa índices turísticos que (salvo raras exceções, como a Quinta do Lago) lhe permite desenvolver negócios sustentáveis para o ano inteiro, mesmo sabendo que, por ali, não se conseguiu ainda encontrar a fórmula certa para o combate à sazonalidade. Ainda assim, para muitos, estes dois meses são habitualmente esse balão de oxigénio, sobretudo assente no turismo, que lhes faz disparar as faturações e a rentabilidade.

Ora, se já fomos riscados do mapa de diversos países por não sermos um país seguro, dados os casos que vão surgindo todos os dias, isso, convenhamos, representa um retrocesso brutal na imagem, que foi trabalhada durante décadas, de um dos cantinhos mais seguros e bem guardados do mundo, o que irá obrigatoriamente resultar num decréscimo enorme nas receitas que irá refletir-se um pouco em todas as áreas, mas com maior ênfase na restauração e hotelaria. Resta, por isso, apostar no que os portugueses possam decidir para as suas férias. Enquanto isso, todos os negócios relacionados com o entretenimento continuam sem saber que medidas tomar, o que, a poucos dias do que seria expetável ser a reabertura de vários espaços que só abrem nesta altura e a abertura de outros que se mantêm ao longo do ano, é um absurdo.

Os negócios precisam de tempo para se organizar, para contratar empregados e logística, fornecedores e animação. Sem saber o que fazer por esta altura, não consigo imaginar a frustração que devem estar a sentir. Além disso, existe a condição da confiança que é necessário ser passada para os clientes, senão eles não vão, mesmo com a porta aberta. Penso que está mais do que na altura de o Governo dizer o que quer para estas pessoas. Se é para estarem fechados, que o assuma definitivamente e crie linhas de apoio para o efeito. Se é para abrirem com novas regras, que estas sejam definidas para que haja tempo para toda a fiscalização necessária e o desenvolvimento de um plano de monitorização. É triste e revoltante ver outros países com espaços abertos e soluções encontradas, e por aqui nada. Ninguém fala, ninguém viu, ninguém quis ou quer saber.

Logicamente (e aparentemente), o mal de uns será o bem de outros. Os restaurantes deverão conseguir capitalizar até mais tarde os seus clientes e faturar em bebidas o que habitualmente não faturam. Também as praias terão um ambiente mais tranquilo e saudável, sem as hordas de jovens acabadinhos de acordar às três da tarde e ainda de ressaca que se amontoam pelos areais, muitas vezes com música aos altos berros e linguagem inapropriada. A maioria dos pais também não se importarão por certo que assim seja, evitando que os seus filhos saiam todas as noites e cheguem à hora a que eles estão a acordar para tomarem o pequeno-almoço. Será, por isso, um verão aparentemente mais tranquilo, passado em família. Aparentemente porque, volto a frisar, duvido muito que consigam manter os mais jovens em casa. É normal, também já fui assim e sei o que a casa gasta. Por isso, muito cuidado com as festas ilegais e os ajuntamentos sem qualquer tipo de condições de higiene e segurança. É que, depois de uma noite de farra em que tudo é desvalorizado, muitos voltam para a casa de férias onde coabitam com pais e avós, muitos deles de grupos de risco…


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