13/8/20
 
 
Eduardo Oliveira e Silva 08/07/2020
Eduardo Oliveira e Silva

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Santana Lopes pode ser a solução para Lisboa

Lisboa precisa de alguém que a lidere, que tenha experiência e que não queira fazer da câmara um trampolim.

1. Lisboa está degradada em muitos aspetos. A cidade precisa de ser recuperada e tem vivido de meras operações cosméticas, como criar ciclovias para bicicletas que não existem nem circulam. Nas últimas eleições municipais, Medina perdeu a maioria absoluta. Agora é óbvio que pode ser apeado se houver uma alternativa que junte todas as forças não socialistas. Nesse contexto, faz sentido pensar em Pedro Santana Lopes. Na sua longa carreira política, Santana teve altos e baixos. Mas se há lugares que desempenhou com eficácia foi o de presidente de câmara, tanto em Lisboa como na Figueira da Foz. Deixou obra feita em ambos os lados e conseguiu a proeza rara de não ter saído de funções com quaisquer problemas judiciais, o que é praticamente impossível para um eleito local. Além disso, Santana Lopes foi provedor da Santa Casa da Misericórdia, que na prática é a segurança social de Lisboa. Tem, portanto, experiência acumulada em todas as áreas. Dir-se-á que o seu nome pode ser um engulho no PSD. Na realidade, não deve ser. O PSD não tem rigorosamente ninguém a apresentar para presidente da Câmara de Lisboa com hipótese de retirar Medina da Praça do Município. Claro que era mais fácil se não tem saído para fundar o Aliança. Há, porém, que ser pragmático na política, desde que não se seja desonesto. O que interessa é ganhar Lisboa com alguém capaz e com provas dadas nessas funções. De resto, o PSD poderia criar uma continuidade autárquica única se mantivesse Cascais (com Carreiras ou Pinto Luz) e soubesse construir uma solução para Oeiras que comportasse o apoio a Isaltino Morais, como é manifestamente vontade dos sociais-democratas da zona e da maioria da população. Isaltino Morais tem feito um mandato irrepreensível. Cascais tem progredido como nunca. Falta Lisboa ter um projeto que se integre e interaja também com Sintra, Loures, Vila Franca de Xira e Almada. Outra vantagem de Santana Lopes para ser, com Isaltino, o eixo de políticas integradas é a circunstância de ambos terem as suas vidas políticas resolvidas e não andarem à procura de trampolim para saltar para outros sítios. Trabalhariam para as pessoas e para deixarem obra. Um homem inspirador nesse sentido foi Nuno Abecasis. Quem quiser mudar a desgraça que se vê em Lisboa, com infraestruturas degradadas, as instituições sociais a falharem e os serviços a autoalimentarem-se em vez de servirem tem de pensar em arranjar e votar em quem possa alterar profundamente essa lógica, em benefício dos cidadãos.

2. No PS está aberta a guerra de sucessão. Medina está de um lado e do outro está Pedro Nuno Santos. Ambos estão a marcar terreno, mas correm o risco de ficar apeados. Ainda não é agora que António Costa põe os papéis para a reforma. Aliás, é daqueles que jamais vão reformar-se da política porque ela é toda a sua vida e motivação. Está-lhe nas veias. Tanto o pai como a mãe foram pessoas de causas. O filho de António Costa também é. Acaba de ascender a presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, por saída do titular. Filho e neto de peixe….

3. António Costa tem sempre uma na manga. Ainda agora se viu, quando foi convidar Francisco Assis para presidir ao Conselho Económico e Social (CES), sob o aplauso e adesão de Rui Rio. Assis é a direita do PS e a esquerda do PSD, mas é indiscutivelmente um político intelectualmente superior e corajoso. Ao indicá-lo, Costa deu uma guinada à direita. Escolheu o lugar certo para dar o sinal porque, no CES, a esquerda comunista está representada pela CGTP, que se põe sempre de fora de qualquer acordo. Francisco Assis vai suceder a Correia de Campos, que foi uma completa desilusão. Não conseguiu ser reeleito na Assembleia da República para um segundo mandato. Já no primeiro, só passou por um voto. Foi uma inexistência.

4. Depois de o processo dos vistos gold ter resultado em nada e numa vergonha para a justiça que arrastou e estragou a vida a pessoas como Miguel Macedo e Manuel Paulos, um polícia sempre considerado exemplar, temos agora o mesmo juiz de instrução e a procuradoria a desunharem-se sobre a EDP, suspendendo os seus homens-fortes, António Mexia e Manso Neto. Ao fim de tanto tempo do início das investigações, fica-se perplexo com a medida. Vamos ver se a montanha vai voltar a parir um rato. E também se a atitude não tem custos pesados para Portugal. Importante mesmo era levar os casos BES/GES e Marquês a tribunal, antes que os protagonistas desapareçam do mundo dos vivos.

5. Não querendo manter o foco apenas nas questões da pandemia, cuja evolução é diária, imprevisível e preocupante em Portugal e muitos outros países, há que desmontar potenciais envolventes económicas com origem na concorrência. Será que o facto de Portugal ter ficado fora do roteiro seguro definido pelos ingleses tem alguma relação com a circunstância de a British Airways ser, na prática, a dona da Iberia? Desse modo, haveria interesse em privilegiar a Espanha como destino. Na nossa história, os amigos de Peniche são os ingleses, que nos ajudaram contra Napoleão. Depois ficaram a mandar no retângulo e nós no pau da roupa.

 

Escreve à quarta-feira

 

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