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Após meses de descuido, Bolsonaro dá positivo à covid-19

Após meses de descuido, Bolsonaro dá positivo à covid-19

Jornal i 07/07/2020 16:38

No dia antes de sentir sintomas, Bolsonaro almoçou com ministros e com o embaixador dos EUA, dias após um banho de multidão.

Há muito que o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, era acusado de minimizar a pandemia, a nível de saúde pública e até pessoal: foi várias vezes criticado por se juntar a multidões de apoiantes sem máscara. Agora, Bolsonaro foi de facto infetado com covid-19, tendo dado positivo ontem, tornando-se um dos mais de 1,6 milhões de casos registados no país, onde houve mais de 66 mil mortes devido à pandemia. O Presidente já começou a tomar hidroxicloroquina, um polémico medicamento contra a malária, apresentado como cura milagrosa da covid-19 pelo Governo brasileiro e norte-americano, apesar dos seus efeitos não terem sido comprovados cientificamente. 

O Presidente, que faz parte do grupo de risco, por ter 65 anos, em entrevista à TV Brasil, informou que a partir domingo começou a sofrer de febre de 38 graus, mal-estar, dores no corpo e cansaço, mas que na noite de segunda-feira a febre baixou um pouco. Ontem já garantia que se sentia “perfeitamente bem”. Além disso, Bolsonaro contou que fez uma radiografia ao pulmão e que este estava “limpo”.

Nos próximos dias, Bolsonaro deverá trabalhar por videoconferência, ficando em isolamento na sua residência, o Palácio da Alvorada, colocando a possibilidade de receber assessores, com documentos para assinar. A sua mulher, Michelle Bolsonaro, também foi testada, mas ontem não se sabia o resultado.

Apesar de estar a sofrer na pele os efeitos da covid-19, Bolsonaro ainda assim fez questão de voltar a desvalorizar a doença, dizendo aos repórters: “Os mais jovens tomem cuidado, mas se forem acometidos do vírus, fiquem tranquilos que para vocês a possibilidade de algo mais grave é próximo de zero”.

Contágio? Entre as declarações do Presidente brasileiro, há um detalhe particularmente interessante: Bolsonaro confessou que pensava até já ter sido infetado anteriormente. Talvez tenha sido na altura em que houve intensa especulação quanto ao seu estado de saúde, em março, após uma visita aos Estados Unidos, após a qual um dos seus assessores deu positivo ao vírus.
“Confesso que achava que já tinha pegado lá atrás. Eu sou o Presidente e estou na frente de combate, não me afasto do povo”, declarou Bolsonaro, perante as câmaras. “Devido ao contato intenso, a população contrai e não percebe a contaminação. Se eu não tivesse feito o exame, se não tivesse tomado o [remédio] preventivo, poderia estar contaminando gente”.

O problema é que se suspeita que o possa ter feito. Ainda este sábado, o Presidente participou num almoço privado com o embaixador norte-americano, Todd Chapman, em Brasília. Trata-se de um aliado próximo de Bolsonaro, no sentido figurativo e literal: estiveram muito próximos no almoço, sem máscara, mostram as fotos.

Entretanto, Chapman anunciou no Twitter que, de momento, não sofria de qualquer nenhum sintoma, mas que fará na mesma o teste à covid-19. Também estiveram no almoço de sábado figuras como o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo: este último foi fotografado abraçado a Bolsonaro.
Nesse mesmo sábado, o Presidente brasileiro viajou até Santa Catarina, uma região recentemente atingida por um ciclone, onde foi fotografado a apertar a mão de uma mulher. Ainda há menos de 14 dias, considerado o período máximo de incubação da covid-19, Bolsonaro visitou Minas Gerais, no final de junho, onde ignorou as regras estatais que obrigavam ao uso de máscara, onde se juntou a um multidão de apoiantes e tirou fotos com crianças. 

 

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