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Ajuntamento em programa da TVI é alvo de críticas mas não preocupa PSP

Ajuntamento em programa da TVI é alvo de críticas mas não preocupa PSP

Pedro Almeida 30/06/2020 10:59

Vídeo partilhado nas redes sociais mostra dezenas de pessoas juntas durante o programa Somos Portugal, em Gaia. Desde 30 de maio que o número de internados por covid-19 não era tão alto.

Portugal está a atravessar atualmente uma fase preocupante quanto à pandemia de covid-19 e, por isso, são vários os eventos que continuam a merecer críticas no que respeita à sua realização. Na Afurada, em Vila Nova de Gaia, por exemplo, a concentração de dezenas de pessoas sem máscara, no passado domingo, durante o programa Somos Portugal, da TVI – aquando da passagem do camião móvel do canal numa rua –, está a ser alvo de duras críticas, tal como pode ler-se nos comentários feitos a um vídeo desse mesmo momento que está a gerar polémica nas redes sociais – muitos internautas acusam o canal de promover ajuntamentos. No entanto, apesar de todo o alarido em torno do momento, a Polícia de Segurança Pública (PSP) aligeirou a situação e não chegou a intervir para dispersar as pessoas presentes, apesar de ter estado no local e numa altura em que estão proibidos ajuntamentos com mais de 20 pessoas, tal como admitiu ao i.

“De facto, tivemos conhecimento da iniciativa, acompanhámo-la e estávamos lá quando se registou esse episódio na Afurada. Mas aquilo que me transmitiram foi que os arruamentos na Afurada são mais estreitos e, portanto, aquela concentração de pessoas que se vê foi meramente pontual, conforme o camião passava. Por isso, não justificou qualquer tipo de intervenção. Foi algo pontual, demorou pouquíssimo tempo e, provavelmente, até demoraria mais tempo nós estarmos a intervir e a afastar as pessoas”, começou por dizer ao i o porta-voz da PSP Nuno Carocha, explicando também que quem vê o vídeo apenas na internet não tem a mesma perceção de quem presenciou a situação.

“Quem ficar a olhar para a imagem pensa que estão ali muitas pessoas reunidas. Mas, depois, a dinâmica do acontecimento não levou a que as pessoas permanecessem ali durante um determinado tempo que realmente reclamasse irmos lá dizer às pessoas que não podiam estar tão juntas. O camião passou e fez a sua performance. Se o camião parasse e permanecesse ali, nesse caso tínhamos de intervir. Mas foram pouquíssimos minutos. Não justificou qualquer interação com as pessoas”, reforçou.

O i contactou tanto a TVI como os ministérios da Administração Interna e da Saúde para obter esclarecimentos mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta.

 

Número de internados preocupa

A região de Lisboa e Vale do Tejo, que vai ter mais médicos para mapear os casos de covid-19 e equipas multidisciplinares no terreno, continua a merecer maior atenção por parte das autoridades de saúde, com 85% dos novos casos do novo coronavírus em Portugal – “obviamente”, não haverá público nos jogos da Liga dos Campeões de futebol, em Lisboa, durante o mês de agosto, tal como disse ontem o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. Mas o número de doentes internados em todo o país também tem sido alvo de preocupação. Segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS) – que deu conta de quatro mortes e 266 novos casos confirmados de covid-19 nas últimas 24 horas –, o número de internados não era tão elevado desde 30 de maio. Nesse dia estavam 514 doentes hospitalizados e ontem registaram-se 489 doentes nessa situação.

 

Primeiro recluso infetado

Um recluso do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, em Paços de Ferreira, testou positivo para a covid-19. Este é o primeiro caso confirmado da doença num recluso das cadeias portuguesas. Segundo a Direção-Geral dos Serviços Prisionais, o surto foi detetado depois de o homem ter sido submetido a avaliação médica antes de uma cirurgia, no Hospital de Penafiel. O homem infetado, que não saía da prisão desde maio – mas que, depois de fazer o teste, foi colocado numa ala com cerca de 100 reclusos –, está agora isolado, mas será transferido para os serviços clínicos do Estabelecimento Prisional do Porto. Outros reclusos e funcionários do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa também estão a ser testados.

A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, recorde-se, havia dito na semana passada que 42 dos 49 estabelecimentos prisionais estão preparados para retomar as visitas a reclusos em “condições de segurança sanitária”.

 

Graça Freitas defende-se de Rui Rio

O líder do PSD, Rui Rio, admitiu ontem, numa visita à zona do aterro de Sobrado, em Valongo, que “a DGS não tem estado completamente à altura do problema” no que respeita à covid-19 em Portugal, referindo que “nunca houve uma linha de conduta, a começar pelo uso das máscaras”. Mas Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, fez questão de se defender na conferência de imprensa de atualização de números alusivos ao novo coronavírus.

“Sempre houve uma grande coerência nas medidas preventivas da DGS. Desde o início da pandemia que fez o seu papel técnico-normativo de acordo com o que era evidência científica à data. Recordo aqui que, desde o início, faziam parte quatro grandes medidas: o distanciamento físico, a higienização das mãos, a etiqueta respiratória e aconselhámos sempre a limpeza de superfícies”, ressalvou Graça Freitas, sublinhando também, no que respeita às máscaras, que passou a ser recomendada a “utilização complementar”. “Se não fossem estas medidas, não tínhamos tido uma evolução tão moderada como tivemos”, atirou.

António Lacerda Sales, porém, admitiu que “ainda estamos vulneráveis” relativamente à luta para ultrapassar a pandemia. “Será assim até que exista uma vacina ou imunidade de grupo”, rematou. E o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, foi mais longe, afirmando que “o pior ainda está por vir”.

 

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