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Festas ilegais. Perigo aumenta com férias escolares à porta

Festas ilegais. Perigo aumenta com férias escolares à porta

Dreamstime Pedro Almeida 22/06/2020 15:57

Locais escolhidos para festas têm sido salões, parques de estacionamento ou até casas particulares. População tem ajudado a PSP a detetar grandes aglomerados de jovens.

As festas ilegais têm-se tornado uma das principais preocupações tanto para as autoridades de saúde como para as forças de segurança, devido à covid-19. E com as férias escolares à porta – as atividades letivas terminam a 26 de junho –, adivinha-se um aumento de eventos organizados na internet: são muitos os jovens que usam as redes sociais para agendar encontros com amigos em plena fase de desconfinamento. Centenas marcam dia, local e hora e juntam-se em praias, parques de estacionamento, postos de combustível, salões de festas ou até casas particulares de uma das pessoas envolvidas, segundo o i apurou. E o início do verão – bem como as elevadas temperaturas que se anunciam – pode vir a complicar o trabalho da Polícia de Segurança Pública (PSP) que, apesar de já ter sido obrigada a intervir algumas vezes, tem sido recebida com aceitação quando se dirige aos locais e aborda os jovens presentes nas festas ilegais.

“Notamos que, tal como aconteceu em Carcavelos ou em Braga, existe um enorme respeito pelo nosso trabalho de quem está envolvido nas festas. Quando chegamos aos locais, as pessoas acatam muito bem e desmobilizam. Não tem havido problemas e esta é uma atitude de louvar”, sublinhou ao i o porta-voz da PSP Nuno Carocha, fazendo alusão ao evento que reuniu cerca de mil pessoas junto à praia de Carcavelos, na sexta-feira à noite, e também ao ajuntamento ilegal de 200 pessoas em Braga, na madrugada de ontem. No sábado à noite, a PSP do Porto, por seu turno, foi também obrigada a intervir para dispersar um grupo de “algumas centenas” de jovens que se juntou na zona da Cordoaria, no centro da cidade.

“Estamos a falar de realidades muito díspares. Tanto estamos a falar de um grupo de amigos que habitualmente se junta, e nós intervimos, como de coisas mais organizadas, previamente planeadas, como em Lagos e Carcavelos. É uma disparidade tão grande que não conseguimos sistematizar, porque chamar a tudo ajuntamentos e festas não é verdade”, ressalvou. Em Lagos, no Algarve, por exemplo, a situação complicou-se com a confirmação de 90 casos de covid-19, tornando-se um dos maiores focos de contágio identificados desde o início da pandemia em Portugal. Foi uma festa de aniversário que se realizou a 7 de junho, no salão do Clube Desportivo de Odiáxere. Começou com 20 pessoas, mas rapidamente descambou.

Ajuda da população e das famílias As autoridades têm tido ajuda no processo de detetar ajuntamentos e festas ilegais: há pessoas que não têm receio de pegar no telemóvel ou até mesmo de sair de casa para contactar a PSP propositadamente e comunicar que estão a avistar aglomerados de pessoas, colocando em risco a saúde de todos. “Aquilo que registamos com agrado é que, por parte da população, existe grande consciência do risco que estes eventos representam em termos de saúde pública. Chegam à polícia e gostamos dessa abertura por parte da população. E ajuda muito”, atirou Nuno Carocha, dizendo que, “tal como nos ensinou o acontecimento em Lagos”, estes ajuntamentos são uma “perfeita armadilha”.

Além disso, a PSP tem solicitado também às famílias para consciencializar os jovens da importância do distanciamento social e da forma como o desconfinamento é feito. “É esta consciencialização que temos de reforçar. Os jovens são um grupo de risco nesta época e contamos com a colaboração também das famílias para consciencializar os jovens da importância do convívio. Mas que este não seja feito em grupos de centenas de pessoas. Nos locais que já conhecemos, e onde notamos que existe maior concentração, estamos mais atentos e tentamos sensibilizar as pessoas de uma forma muito direta e assertiva”, rematou o porta-voz da PSP.

Marcelo e Costa falam em medidas “mais duras” Para impedir ajuntamentos, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, já vieram a público sublinhar que não haverá quaisquer problemas em aplicar medidas proporcionais ao que seja necessário. “Se houver casos pontuais, em que haja necessidade de tomar medidas mais duras, multiplicam-se as participações ao Ministério Público e as pessoas percebem que começam a ter um problema grave em cima dos seus ombros”, garantiu Marcelo. E António Costa acrescentou: “Todos nós, obviamente, temos uma enorme responsabilidade. Ajuntamentos deste tipo não podem continuar”, concluiu.

 

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