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Doentes com AVC tratados nos hospitais diminuíram durante a pandemia

Doentes com AVC tratados nos hospitais diminuíram durante a pandemia

Jornal i 17/06/2020 17:34

Inquérito com respostas de 32 hospitais revelou que metade registaram quebras entre 25% e 50% dos doentes tratados nas primeiras semanas da pandemia. 

O número de doentes com AVC tratados nos hospitais portugueses diminuiu durante as primeiras semanas do estado de emergência e há unidades que registaram uma redução dos casos superior a 50%. A conclusão é de um inquérito promovido pela Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) e divulgado hoje a par de uma nova campanha de sensibilização para os sintomas e riscos de não procurar assistência. “O AVC não fica em casa” é o mote da campanha, lançada pela Iniciativa Angels, um projeto internacional para a melhoria dos cuidados nesta área e reforço da resposta aos doentes, nomeadamente a utilização das vias verdes AVC. A campanha tem ainda o apoio da SPAVC e do INEM.

O inquérito da SPAVC concluiu que, nos 32 hospitais abrangidos, metade registaram quebras no número de doentes entre 25% e 50% e um quarto registou mesmo uma quebra superior a 50%. Os resultados do inquérito feito entre 30 de março e 1 de abril, a que o i teve acesso, revelam ainda que 34,4% dos hospitais reportaram uma redução de 25% a 50% no número de trombólises efectuadas e 15,6% referiram uma quebra superior a 50% na administração deste tratamento. Também cerca de um terço dos hospitais (31,3%) reportaram uma redução de 25-50% no número de trombectomias efectuadas. A maioria dos centros (93,8%) mostram-se preocupados com o impacto da COVID-19 na reabilitação.

“Os números são preocupantes e precisamos de garantir que os doentes estão seguros para continuar a otimizar a qualidade de tratamento em todos as Unidades de AVC existentes. O tempo de chegada ao hospital é fulcral para o sucesso do tratamento, e há equipas preparadas para tratar os doentes, num circuito protegido e paralelo ao dos doentes infetados por COVID-19”, alerta, num comunicado da iniciativa, Castro Lopes, presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC).

"A cada 30 minutos, um doente com AVC, que poderia ter sido salvo, morre ou fica permanentemente incapacitado, porque não foi tratado no hospital indicado. O principal objetivo é que todos os doentes com AVC tenham acesso ao mesmo nível de cuidados independentemente da região onde se encontram", defende a organização, que está também envolvida na campanha FAST Heroes 112, "um projeto destinado a educar crianças dos 5 aos 9 anos de idade sobre como reconhecer os sintomas de AVC e como ativar corretamente os serviços de Emergência Médica, ligando 112 (Número Europeu de Emergência)." 

O impacto da pandemia e do receio causado pelo coronavírus no tratamento do AVC já tinha sido documentado noutros países, com a diminuição dos doentes nos hospitais, por exemplo em algumas unidades dos EUA, mas também maior demora na procura de cuidados, o que pode comprometer a janela temporal para os procedimentos indicados nestes casos.

O AVC é a principal causa de morte em Portugal. Em 2019, vitimou 11 mil pessoas. A Via Verde do INEM encaminhou uma média de 12 casos por dia para os hospitais.

 

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