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Spike Lee. Os filmes em que todas as vidas negras importam

Spike Lee. Os filmes em que todas as vidas negras importam

Hugo Geada 16/06/2020 22:10

O mais recente filme de Spike Lee, Da 5 Bloods, estreou-se na passada sexta-feira na Netflix e procura oferecer a visão dos soldados negros durante a Guerra do Vietname. A propósito da estreia, revisitámos as diferentes longas-metragens que marcaram a carreira do inovador cineasta, desde a descontraída comédia romântica que marcou o início da sua carreira, nos anos 1980, ao filme biográfico do ativista negro Malcolm X.

She’s Gotta Have It (1986)

Apesar de a sinopse deste filme no IMDB o descrever como a “história de uma mulher e dos seus três amantes”, este filme é muito mais do que isso. A estreia de Spike Lee no cinema, no papel de realizador, argumentista e produtor, mostrou que pretendia uma renovação na indústria oferecendo mais dignidade aos profissionais negros do setor. Protagonizado por Tracy Camilla Johns no papel de Nola Darling, é um conto sobre o orgulho de ser negro e de ser mulher, independente e com capacidade de escolha. A trama carrega muitas das imagens de marca que acabaram por marcar a carreira do cineasta, como a paixão pela cultura pop negra.

Do the Right Thing (1989)

O dia mais quente de sempre da história do bairro de Bedford-Stuyvesant, em Brooklyn, foi aquele que marcou Spike Lee como um dos maiores da história do cinema. Apesar da primeira parte bem-disposta, com uma grande palete de personagens coloridas e bem-humoradas, como Sal, o dono da pizaria do bairro, Mother Sister, a maternal personagem que observa o quotidiano, ou o trágico Radio Raheem, o final ambíguo ainda hoje é tema de intermináveis discussões sobre a maneira como as comunidades negras são tratadas. Uma cena de Do the Right Thing  foi agora adaptada numa curta lançada pelo realizador em honra da memória de George Floyd.

Jungle Fever (1991)

Uma meditação sobre como o casamento inter-racial é visto pela alta sociedade nova-iorquina e pelas ruas de Brooklyn. Com um elenco luxuoso que contou com atores como Wesley Snipes, Annabella Sciorra, Ossie Davis, Ruby Dee, Samuel L. Jackson, John Turturro, Halle Berry ou Anthony Quinn, Jungle Fever foi dedicado à memória de Yusuf Hawkins, um rapaz negro de 16 anos que foi assassinado em 1989, no bairro de Bensonhurst, em Nova Iorque, por um grupo de ítalo-americanos que julgava que ele estava envolvido com uma rapariga branca, quando o jovem apenas se tinha dirigido ao local onde perderia a vida para comprar um carro.

Malcolm X (1992)

Que outro realizador seria mais adequado para fazer o filme biográfico da vida de um dos maiores ativistas dos direitos da comunidade negra? Denzel Washington, num dos papéis que marcaram a sua carreira, interpreta Malcolm X (foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator) em vários pontos essenciais da sua vida, nomeadamente a sua infância ou a conversão ao islamismo. A longa conta com aparições de Nelson Mandela, o reverendo Al Sharpton e Bobby Seale, cofundador dos Panteras Negras. Em 2010, o filme foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos por ser “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo”.

25th Hour (2002)

Apesar de não ter o cunho de Lee no argumento ou na produção, o seu estilo é evidente nesta película protagonizada por Edward Norton, um traficante recentemente libertado da prisão, e os seus amigos de infância, interpretados por Philip Seymour Hoffman e Barry Pepper. Blake Goble, da Consequence of Sound, relembra a importância que 25th Hour teve ao incorporar as influências do pós-11 de Setembro e “carregar um sentimento de melancolia e arrependimento (...) que o colocou em diversas listas de melhores filmes da década” – nomeadamente na de Roger Ebert, influente crítico de cinema.

Oldboy (2013)

Oldboy, do sul-coreano Park Chan-wook, lançado em 2003, é um filme altamente aclamado: o Guardian classificou-o, este ano, como o terceiro melhor filme do cinema sul-coreano moderno e a Empire diz que é o 64.º melhor filme de sempre. O remake de Spike Lee... nem tanto. Uma das entradas mais bizarras da sua filmografia, foi bastante criticado por “nem ultrapassar o original nem trazer nada de novo para o seu impressionante legado”, pode ler-se no Rotten Tomatoes. Contudo, o filme, protagonizado por Josh Brolin, foi elogiado por conseguir trazer a estética de Spike Lee para este registo.

BlacKkKlansman (2018)

A longa que finalmente colocou um Óscar nas mãos de Spike (Melhor Argumento Adaptado, em 2019), retrata a história verídica de Ron Stallworth, um detetive negro que se infiltrou no Ku Klux Klan. Um dos melhores filmes de 2019, esteve entre os nomeados para Melhor Filme do ano nos Óscares e foi elogiado pela visão provocadora e crítica contra a sociedade racista norte-americana. No final da história, o realizador decidiu utilizar imagens reais da manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, em 2017, e fazer um tributo a Heather Heyer, uma manifestante que morreu atropelada por um homem neonazi.

Da 5 Bloods (2020)

O mais recente filme de Spike Lee estreou-se na passada sexta-feira, 12 de junho, na Netflix, e foca-se num grupo de soldados veteranos afro-americanos que têm de regressar ao Vietname para procurar o líder do seu esquadrão e um potencial tesouro. Lançado num momento crucial da história dos EUA, envolto em manifestações contra a violência policial, esta longa-metragem é uma forte crítica à forma como os soldados negros foram tratados pelo exército durante a Guerra do Vietname através de “lentes de um presente bastante confuso”, escreveu Eric Kohn, da Indiewire.

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