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Afinal, o que faz falta para se poder reeditar a obra de José Afonso?

Afinal, o que faz falta para se poder reeditar a obra de José Afonso?

Cláudia Sobral 12/06/2020 09:18

O problema arrasta-se há anos. Durante o processo de insolvência da discográfica Movieplay, desapareceu arquivo da Orfeu, editora que adquiriu em 1983, o que quer dizer que os originais de muitos dos álbuns, nalguns casos a discografia praticamente completa de músicos como José Afonso ou Adriano Correia de Oliveira estão em parte incerta. No ano passado a Associação José Afonso entregou ao Governo uma petição para a classificação da obra do cantautor, para que a questão dos direitos pudesse ser ultrapassada e pudesse ser reeditada, visto discos históricos estarem há anos esgotados.

Graça Fonseca disse na altura, para que isso seja possível é “preciso aceder às gravações”. Não é a opinião nem de Arnaldo Trindade, o fundador da Orfeu, nem dos especialistas ouvidos num colóquio sobre o tema promovido pela AJA. Entretanto, também o processo da Movieplay foi arquivado, e com isso os direitos regressam às mãos dos herdeiros. Sem respostas do Ministério da Cultura, um ano depois do último debate público sobre a classificação do legado de uma das mais relevantes vozes da música portuguesa, o i reconstitui a saga pela reedição da obra de Zeca Afonso.

Foi já há mais de dez anos que um processo movido por Fausto Bordalo Dias colocou o problema a descoberto. Os arquivos da Movieplay Portuguesa, que na década de 1980 adquiriu, com todo o seu património, a Orfeu, editora discográfica fundada na década de 1950 por Arnaldo Trindade e que editou José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Vitorino, Sérgio Godinho, Fausto, entre muitos outros, haviam desaparecido. A história é já bem conhecida e terminou na insolvência da empresa sem que nem dos seus responsáveis nem de um acervo que conta uma importantíssima parte da história da música portuguesa da segunda metade do século XX se conheça o rasto. Vai-se dizendo, até escrevendo, que poderá ter sido levado para o estrangeiro, eventualmente vendido. Ninguém sabe. “Quando os agentes de execução foram ao último armazém da Movieplay, já não encontraram nada”, diz ao i João Luiz Madeira Lopes, da Associação José Afonso (AJA). “Estava completamente vazio”.

Com as notícias de que o acervo estava desaparecido, já há vários anos a AJA, que tem uma rede de núcleos espalhada por todo o país, levou a cabo uma empreitada de procura e aquisição do maior número de álbuns disponíveis no mercado possível. O objetivo era que deixassem de estar dispersos. O que sobra desse esforço está hoje disponível na loja da AJA, cujo catálogo é possível consultar online. Dos 14 álbuns de estúdio do cantautor, apenas o último, Galinhas do Mato, de 1985 (e gravado a várias vozes, com a colaboração de cantores como Luís Represas, José Mário Branco e Janita Salomé, dado o avanço da doença à qual viria a sucumbir em fevereiro de 1987), está disponível, juntamente com o single Viva o Poder Popular (1975), Ao Vivo no Coliseu, e José Afonso - As Últimas Gravações, que reúne esse registo do último grande concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 1983, Como se fora seu filho, Galinhas do Mato e outros registos entre os anos de 1983 e 1985. Da reedição da sua obra na década de 1980 na coleção Série Ouro, também já nada sobra. Ou seja, os mais relevantes álbuns de José Afonso estão há anos comercialmente inacessíveis.

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