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Costa Silva diz que não podia deixar de aceitar proposta “muito aliciante” do Governo

Costa Silva diz que não podia deixar de aceitar proposta “muito aliciante” do Governo

Ana Antunes Jornal i 04/06/2020 10:10

Gestor pôs de parte qualquer ideia de incompatibilidade com o seu trabalho na Partex.

António Costa Silva foi nomeado pelo Governo para coordenar os trabalhos preparatórios da elaboração do Programa de Recuperação Económica e Social entre 2020 e 2030. Em entrevista à agência Lusa, o gestor admite que estar no Executivo “não faz parte das suas ambições” e do seu “ADN”, mas que "não podia deixar de aceitar” a proposta, “sobretudo tendo em conta o momento que o país vive".

"Estar no Governo não faz parte das minhas ambições e não faz parte do meu ADN", disse.

"Sou um cidadão que gosta muito de pensar, de ler, de estudar e de investigar”, realçou o presidente executivo da Partex, admitindo que a proposta do Governo foi “muito aliciante”, como uma reflexão estratégica para a qual poderia dar o seu "contributo cívico, 'pro bono'".

Recorde-se que no despacho de nomeação, assinado pelo primeiro-ministro, António Costa, pelo ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, e pelo ministro do planeamento, Nelson de Souza, refere que Costa Silva não “aufere de qualquer remuneração ou abono”, sendo escolhido pela sua “idoneidade, experiência e competências” para assegurar este trabalho preparatório de um plano para uma década.

Na mesma entrevista, o gestor pôs de parte qualquer ideia de incompatibilidade com o seu trabalho na Partex.

"Isso é afastado logo à cabeça, porque a Partex é uma empresa de petróleo e gás e este setor em Portugal foi completamente fechado por decisão política", disse o também professor e engenheiro. "Não há investimentos nessa área, a empresa não tem nenhuma operação no país", acrescentou.

Quanto ao facto de ter apenas um mês para entregar o primeiro esboço do trabalho, Costa Silva destaca que trabalha “bastante rápido”, mas que também irá contar com a colaboração da equipa do ministro Matos Fernandes.

"Tenho feita muita reflexão, escrito artigos e ensaios e participado em livros e seminários, incluindo sobre políticas públicas (…) É fundamental refletirmos e questionarmos os paradigmas que tínhamos sobre a economia", disse, depois de referir que tem muito trabalho feito nas diferentes áreas que "são os pilares estratégicos da proposta", nomeadamente a transição energética, a descarbonização, a mobilidade elétrica o paradigma das cidades, as infraestruturas socialmente portuárias, a industrialização do país e o papel dos recursos na valorização do território.

Ainda que surpreendido pelo desafio colocado por António Costa, o gestor diz que “não podia deixar de aceitar, sobretudo tendo em conta o momento que o país vive".

No entanto, Costa Silva não se pronuncia sobre o facto de o trabalho desenvolvido resultar num programa para uma década, mais do que a duração de dois Governos.

"Isto não tem nada a ver com o programa do Governo até porque não sou do Governo, sou independente e assim serei (…) o plano está concebido para ser executado ao longo da próxima década, se assim for determinado pelos responsáveis políticos", frisou.

De recordar que a nomeação feita por António Costa gerou várias críticas, sobretudo à direita do PS. Esta quarta-feira, no debate quinzenal, o primeiro-ministro justificou a opção por Costa Silva referindo que é preciso ir “além da bolha político-mediática” e ouvir pessoas que refletem “fora da caixa”.

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