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2 de Junho de 1953. Isabel subiu os 4 degraus da coroa e um lorde caiu para o lado

2 de Junho de 1953. Isabel subiu os 4 degraus da coroa e um lorde caiu para o lado

Afonso de Melo 02/06/2020 09:46

Choviam cães e gatos do céu de Londres mas isso não impediu que cerca de dois milhões de pessoas viessem para as ruas tentar espreitar as figuras de um cortejo enorme e inesquecível.

Choviam cães e gatos, como os ingleses gostam de dizer, mas pouco importava. Mais de um milhão de pessoas espalharam-se pelas ruas de Londres durante as 48 horas que antecederam o dia 2 de Junho de 1953. Que se lixassem as gripes e as pneumonias. Cada um espirrava para seu lado. Centenas de alto-falantes distribuíam música gratuita, mas também não era importante. Todos tinham uma canção qualquer pronta a sair-lhes das gargantas. Bandas e charangas, vendedores de tudo o que era quinquilharia, sobretudo bandeirinhas da Grã Bretanha. A temperatura rondava os 5 graus centígrados. Não parava de chegar gente, de comboio, de autocarro, de carro particular, se tivesse um pouco mais de poupanças para gastar.

Em Trafalgar Square juntaram-se 50 mil almas. Desesperados, os polícias, que tinham sido convocados para se apresentar ao serviço pelas 4 horas da manhã, surgiam de olhos ramelosos 5 horas antes da convocatória. Era preciso deter o povo embevecido!

Na véspera, Edmund Hillary e o seu companheiro sherpa, Tenzing Norgay, tinham atingido o cume do Evereste. Nesse dia, Isabel, a segunda do nome, seria coroada rainha de Inglaterra, após a morte de seu pai, Jorge VI. Em Westminster, a cerimónia religiosa foi incomparável. Os ingleses levam a monarquia muito a sério e com uma coroação não se brinca, “by Jove!”.

Isabel tinha, atrás de si, todos os grandes escribas do reino, prontos para registarem uma Odisseia. “A rainha Isabel não é uma simples aparição que se mostra e logo desaparece. Marca, no torvelinho das mutações e das metamorfoses o elemento que permanece e se sobrepõe às apreensões e às desconfianças. Ela significa mais ou menos isto - a lâmpada que nunca se apaga”.

Às 7 horas da manhã, Isabel estava a pé. Era o seu grande dia, que diabo, havia que madrugar. O seu marido, o príncipe de Edimburgo, foi acordar os filhos do casal, Carlos e Ana. Ala que se faz tarde! Há que depositar uma coroa no toutiço da rainha. Os radialistas levantaram-se ainda mais cedo. O éter espalhava pelos céus do reino palavras de ecoavam por todos os cantos do planeta: “Longa há de ser a existência da Inglaterra, entre bonanças e procelas, entre júbilos e batalhas, sem que perca sequer por um instante a luz que nas suas mágoas e desesperos lhe ilumina a alma e tranquiliza a consciência!” Palavras de senhores imponentes, assertoados em fatos nem sempre ao seu tamanho.

 

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