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Três meses de covid-19

Três meses de covid-19

Bruno Gonçalves Marta F. Reis Sónia Peres Pinto e Laura Ramires 02/06/2020 09:38

Os primeiros casos de covid-19 foram confirmados no dia 2 de março. Recuperamos os números da epidemia e do impacto da covid-19 no país nestes três meses. Morreram 1424 pessoas, a maioria com mais de 80 anos, muitos residentes em lares. Da China, onde tudo começou, Portugal registou apenas um caso importado.

O DIA EM QUE TUDO MUDOU

Era uma segunda-feira e para trás ficavam semanas de alerta internacional de casos suspeitos a dar negativo. Os primeiros dois casos de covid-19 foram confirmados no Porto a 2 de março, um com ligação a Espanha e outro a Itália. Seguiram-se outros três casos com ligação a Itália à medida que foram identificadas as primeiras cadeias de transmissão. O Norte estava prestes a tornar-se o epicentro da epidemia e os boletins da Direção Geral da Saúde mostram que os primeiros doentes começaram a ter sintomas na semana do Carnaval. Uma semana depois da confirmação dos primeiros casos, Portugal registava 39 doentes e seis cadeias de transmissão ativas. Os primeiros focos de contágio foram detetados em Lousada e Felgueiras, com ligação inicial às feiras de calçado em Milão. Seguiu-se Ovar, o único no continente que seria alvo de uma cerca sanitária, com entradas e saídas proibidas à exceção de trabalhadores essenciais, a primeira em mais de 100 anos. Com uma rápida propagação do vírus no início de março, Ovar chegou aos 716 infetados. De acordo com o balanço feito diariamente por Salvador Malheiro, autarca que se tornou um dos rostos do combate à pandemia no país, morreram 40 pessoas no concelho e a maioria dos infetados já recuperou – ontem havia 18 casos ativos. Continua a ser o município no continente com mais casos por habitante. Há uma semana que não regista novos casos.

 

19 DIAS ATÉ AOS MIL CASOS, TRÊS DIAS ATÉ AOS 2000

A epidemia começou a crescer rapidamente, no início com os novos casos a duplicar a cada três dias. No dia 30 de março, Portugal passou a barreira dos mil casos confirmados. Três dias mais tarde, passaria a barreira dos 2000. A 15 de março fecharam as escolas e a 16 de março foi declarado o estado de emergência, o que se traduziria numa quebra na propagação do vírus. A equipa técnica que dá apoio ao Governo estima que o pico de início de sintomas aconteceu na última semana de março, o que sugere que a transmissão começou a abrandar depois do início do confinamento. Ao mesmo tempo, foi aumentando a capacidade de testagem, o que levou a mais casos detetados. A 4 de abril, pouco mais de um mês depois do primeiros casos positivos, o país passou a barreira dos 10 mil casos confirmados. A 19 de abril, passou os 20 mil. A 22 de maio, chegou aos 30 mil, o dobro do tempo que tinha levado a chegar à marca anterior. Mas ao mesmo tempo que a epidemia abrandou no Norte, os novos casos começaram a aumentar na região de Lisboa e Vale do Tejo. Desde o início do desconfinamento, a 4 de maio, registaram-se 7176 novos casos de covid-19 no país, 1619 na região Norte e 5199 na região de Lisboa Vale do Tejo.

 

18º PAÍS COM MAIS TESTES POR MILHÃO DE HABITANTES

Depois de dificuldades iniciais, da falta de reagentes a zaragatoas, Portugal integraria o pelotão dos países que fizeram mais testes. Até ontem tinham sido processadas mais de 812 mil amostras na rede pública e laboratórios privados, o que dá cerca de 79 mil testes por milhão de habitantes, o 18.º lugar no ranking mundial. A necessidade de alargar testes para isolar o mais possível pessoas infetadas, mesmo assintomáticas, foi uma das orientações da OMS desde o início da pandemia, dada a elevada contagiosidade do vírus. Estima-se que, sem medidas, cada pessoa infetada com o novo coronavírus infete em média duas a três pessoas (em Portugal o R0 do vírus nas duas primeiras semanas de março foi estimado em 2,6, mas alguns estudos sugerem que pode ser superior). Na pandemia de gripe A em 2009, o R0 foi situado entre 1,1 e 1,6. O R0 da gripe sazonal é estimado em 1,3 – afeta mais pessoas, mas existe vacinas para proteger os grupos vulneráveis e pelo menos um antiviral específico, o que ajuda a mitigar o impacto que ainda assim todos os anos é significativo.

 

OS CONCELHOS COM MAIS CASOS

Nas primeiras semanas o Porto foi o concelho com mais casos confirmados de covid-19, mas no final de março a posição foi ocupada por Lisboa, que permanece como o concelho com mais casos – e também onde mais têm aparecido mais novos infetados nos últimos dias, a par de Loures e Sintra. Lisboa registou desde o início da epidemia 2409 casos de covid-19 e é o único concelho do país acima da barreira dos 2 mil casos, ainda que a área metropolitana do Porto tenha tido um impacto muito superior nos primeiros meses da epidemia. Vila Nova de Gaia surge em segundo lugar nos concelhos com mais casos, com 1567 infetados. Seguem-se Braga (1225) e Matosinhos (1280), números de que nos últimos dias se têm aproximado Sintra e Loures, que passaram a barreira dos mil casos na última semana. Sintra é agora o quarto concelho do país com mais casos (1173). Quando se tem em contra o número de habitantes, a última análise do INE destaca Ovar, com 120 casos por cada 10 mil habitantes, mas também Condeixa-a-Nova, os municípios da área metropolitana no Porto, como Valongo, Felgueiras ou Lousada, e no, Alentejo, Moura, o concelho mais afetado na região com menos casos do país e com 12 concelhos onde a doença não chegou.

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