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Dançando na escuridão

Dançando na escuridão

Afonso de Melo 01/06/2020 10:40

Tínhamos um jeito especial para sermos um para o outro. Éramos aquela pequena verdade onde o céu se reflete, como dizia Álvaro de Campos.

Lembrei-me do teu sorriso. Acendia o meu como a ponta de um cigarro acende a de outro. Ou como um beijo. Ainda hoje estremeço de ternura ao lembrá-lo. Dava tudo para o ter de volta mas, entretanto, crescemos e deixámos de ser quem éramos. Não, não é justo. A vida não devia poder fazer certas coisas connosco, pois não? O escritor brasileiro Lúcio Cardozo ficou chocado no dia em que fez 40 anos: “Não sei como isto me foi acontecer. Logo a mim, que tenho um talento tão grande para ser criança!”

Tínhamos um jeito especial para sermos um para o outro. Éramos aquela pequena verdade onde o céu se reflete, como dizia Álvaro de Campos. Mas o céu não reflecte nada apesar de hoje estar repleto dos pioneses das estrelas, todas elas brilhando muito no esforço de serem vistas.

Lembrei-me do teu sorriso que está aqui preso num lugar que não posso divulgar porque é só meu e teu. Mesmo que nunca mais lá tenhas voltado.

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