15/7/20
 
 
Afonso de Melo 29/05/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Mentiras da Lua

A polícia exigiu que fôssemos parentes para podermos estar sentados à mesma mesa. Éramos todos irmãos mas com apelidos diferentes, de nada servia o bilhete de identidade.

Na estrada à minha frente, a Lua faz um D grande e luminoso num céu sem estrelas. Mente. A Lua mente sempre. Se fizesse um C, de crescente, estaria em quarto minguante. É por isso que não acredito no teu cheiro que me sobrou na almofada.

São mentiras que a noite deixa a encherem-me a cabeça de sonhos que preferia não ter. Os quilómetros que percorro até chegar a casa estão envoltos numa escuridão grossa, quase opaca.

Alguém apagou as luzes e foi dormir, entretanto. Talvez um deus que goste de se deitar cedo, impaciente por cozer a bebedeiras dos dias que escaldam.

Meia hora antes, na varanda do Calcutá, na Rua do Norte, no Bairro Alto, a polícia exigiu que fôssemos parentes para podermos estar sentados à mesma mesa. Éramos todos irmãos mas com apelidos diferentes, de nada servia o bilhete de identidade.

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