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José Paulo do Carmo 29/05/2020
José Paulo do Carmo

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A praga das autocaravanas

Esta rapaziada que não paga impostos, que acha fixe não tomar banho, que enche o depósito na fronteira e traz comida dos seus países, para além de não deixar cá um cêntimo, ainda estraga a vista a quem paga e paga bem para usufruir da nossa beleza natural e das nossas condições únicas.

O problema não é de agora. Há muito que se vem deteriorando, sendo nalguns casos um autêntico esgoto a céu aberto. Falo dos milhares de caravanas e autocaravanas ilegalmente instaladas um pouco por esse Portugal fora, mas com maior incidência em Lisboa, na Costa Vicentina ou na algarvia. Falamos de turismo fora da lei, mas também de saúde pública (ou da falta dela). Invadem parques de estacionamento e ocupam ilicitamente locais paradisíacos do nosso país, reservas naturais e ecológicas onde, por motivos que se percebem, não se pode construir, açambarcando as melhores vistas e desenvolvendo autênticos guetos onde a higiene e a segurança escasseiam, contaminando as nossas praias e a nossa natureza, sem que o Estado se preocupe em fazer alguma coisa que seja.

Segundo relatos de pessoas amigas, é um autêntico Faroeste. Ocupam espaços públicos sem licença ou autorização, fazem quintais, hortas, vendem café e nalguns sítios, como as praias do Barranco ou das Furnas, montaram inclusivamente um forno de pão. Vendem todo o tipo de drogas ilícitas, publicitadas em cartazes encostados às carrinhas. Dezenas de cães sem o mínimo de cuidados básicos; tudo e todos põem e dispõem, fazendo autênticas lixeiras; pessoas porcas e sem o mínimo de preocupações que fazem as suas necessidades onde calha, deixando um cheiro nauseabundo e papel higiénico usado a voar pelo ar. O problema não são, por isso, os típicos caravanistas, normalmente de terceira idade, que parqueiam nos sítios legais, com todas as condições nas suas caravanas e que, normalmente, são pessoas de bem, gentis e apreciadas. São mesmo os outros, autênticos hippies que fazem da falta de higiene uma forma de estar e que adaptam carrinhas com janela para o mar.

Grupos organizados, hostis a quem aparece de fora, como na praia do Barranco, ocupada por caravanas francesas e alemãs acompanhadas de mais de 100 pessoas e dezenas de animais, que assustam as famílias que querem fazer praia provocando e acicatando o ambiente. Esta rapaziada que não paga impostos, que acha fixe não tomar banho, que enche o depósito na fronteira e traz comida dos seus países, para além de não deixar cá um cêntimo, ainda estraga a vista a quem paga e paga bem para usufruir da nossa beleza natural e das nossas condições únicas.

O que queremos nós, afinal, do nosso turismo? É assim que atraímos qualidade? Que pretendemos ser competitivos? Num país que depende cada vez mais desta área, se calhar é altura de se preocuparem mais em preservar o que nos torna especiais. Temo que com a ânsia de querer atrair novamente turistas para o nosso país se caia no erro de achar que todo o estrangeiro é bom e que vêm todos por bem. As pessoas que nos procuram querem paz e tranquilidade, mas devem querer limpeza, higiene e segurança. Qualidade, acima de tudo. Acho surreal que numa altura destas se permita este nojo que se arrasta pela nossa costa. Existem regras que têm de ser cumpridas por todos e ao Estado cabe fiscalizar e fazer cumprir, para não continuarmos nesta bandalheira. Aprendam com alguns destinos lá fora (ou duas ou três exceções por cá) que se fazem valer do que têm para oferecer e se fazem cobrar por isso. Continuamos a jogar para a terceira liga com medo de perder o que existe. Com cidades lindíssimas, paisagens idílicas, praias fantásticas e uma segurança quase única, continuamos a ser tão pequeninos em algumas coisas que podiam e deveriam fazer a diferença…

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